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Segunda-Feira, 28 de maio de 2018
02-05-2018
Mercado de trabalho: gestão se tornou um filão da Zootecnia

Nesse campo de atuação o profissional é desafiado, mas também reconhecido em suas competências

Texto: Assessoria de Comunicação do CRMV-SP

Dentre as várias frentes de atuação em que um zootecnista pode exercer a profissão, a da gestão é um destaque. Com ela o profissional auxilia empresas dos mais variados segmentos a conduzir os negócios com olhar técnico e estratégico.

“O grande filão da profissão é a gestão. Convencido disso, o mercado valoriza e remunera bem o zootecnista que trabalha como gestor”, afirma o Prof. Dr. Celso da Costa Carrer, docente na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), membro da Comissão Técnica de Políticas Públicas do CRMV-SP e um dos palestrantes no I Encontro de Zootecnistas do Estado de São Paulo, que será realizado no dia 18 de maio pelo Conselho.

Carrer conta que os zootecnistas mostraram a capacidade que têm de gerenciar, seja no campo dos negócios ou na área de marketing, contando com diferenciais da profissão. “O zootecnista alia olhar e conhecimento técnicos da Zootecnia à gestão, o que o torna um profissional muito mais estratégico para os resultados em empresas do setor do que, por exemplo, um gestor da área administrativa.”

Nesse contexto, o profissional direciona planejamento e tomada de decisões fundamentais para os negócios, sejam eles na indústria, nas vendas ou na fazenda. “Assim, todos os campos tradicionais da Zootecnia, como a nutrição, o melhoramento genético, as culturas – desde abelhas até búfalos –, são permeados pela atuação na gestão”, destaca Carrer.

Demanda mundial fomenta a área da Nutrição

Na opinião da Profa. Dra. Ana Cláudia Ambiel, zootecnista integrante da Comissão Técnica de Ensino e Pesquisa da Zootecnia do CRMV-SP, presidente da Comissão Nacional de Educação em Zootecnia do CFMV, e também palestrante do encontro, dentre as áreas tradicionais, evidencia-se a da nutrição.

“Percebo que é um campo muito forte em todas as cadeias: pets, animais de produção e animais de lazer e esporte”, afirma Ana Cláudia, referindo-se tanto à participação dos profissionais tanto no processamento industrial, quanto nas vendas e orientações técnicas nas fazendas.

O destaque está intrinsecamente relacionado à grande demanda mundial por alimentos de origem animal, à necessidade de processos cada vez mais sustentáveis – principalmente com a redução de impactos ambientais – e, mais do que nunca, às exigências do consumidor quanto à garantia do bem-estar dos animais.

“Da mesma forma, para atender aos critérios para exportação e necessidades nas transações em território nacional, o mercado requer condutas que resultem em qualidade e viabilidade econômica, aspectos atendidos a partir do trabalho de equipes que incluem zootecnistas”, comenta Ana Cláudia.

Essa atuação se reflete positivamente no agronegócio brasileiro que, de acordo com informações divulgadas em janeiro deste ano pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em 2017 somou US$ 96,01 bilhões em exportações, o que representa um crescimento de 13% em relação a 2016 e 44,1% do total das vendas externas feitas pelo Brasil. Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento das exportações estão as carnes (+US$ 1,26 bilhão).

O Prof. Dr. Celso da Costa Carrer, docente na FZEA-USP e membro da Comissão Técnica de Políticas Públicas do CRMV-SP, considera que a Zootecnia tem papel estratégico nesse cenário. “Nos últimos 20 anos, as cadeias produtivas passaram por mudanças pragmáticas, para atender as demandadas do mercado, que foram possíveis com uma forte contribuição dos profissionais.”

Perspectivas

De acordo com a Profa. Dra. Ana Cláudia Ambiel, zootecnista integrante da Comissão Técnica de Ensino e Pesquisa da Zootecnia do CRMV-SP e presidente da Comissão Nacional de Educação em Zootecnia do CFMV, entre as promessas para o futuro do mercado de trabalho para os zootecnistas seguem em destaque as oportunidades na área de gestão de pessoas e processos com foco na sustentabilidade. “Isso também em função do crescimento do mercado de produtos com valor agregado, ou seja, a necessidade de desenvolvimento de itens com especificações e qualidades diferenciadas.”

As observações de mercado levam a crer que a demanda dos consumidores já aumentou o interesse das empresas em investir em produtos com essa característica, movimento que deve se manter. Exemplos disso são os itens para pessoas com restrições alimentares ou ainda os produtos que requerem padronização para atender necessidades de grandes redes de restaurantes.

Uma empresa pode, por exemplo, precisar que os bifes comprados para um determinado prato tenha espessura e tamanho, entre outras características, sempre iguais. Assim, os processos em suas cozinhas seguirão padrões de preparo que funcionarão para todas as peças e, então, será possível garantir que o cliente receberá o produto sempre da mesma forma e com o mesmo sabor, independentemente da unidade da marca em que ele esteja. “O atendimento a essa necessidade começa na produção e envolve diretamente a Zootecnia”, comenta Ana Cláudia.

A professora aponta também a Zootecnia de Precisão, que é uma ciência nova, mas que representa um caminho sem volta. Trata-se de um recurso crucial para que os profissionais alcancem gestões mais eficientes e de importante contribuição para a prevenção de danos nos rebanhos.

Já no setor pet, há uma perspectiva de crescimento da Zootecnia na área de comportamento animal. Isso porque, depois da aproximação observada nos últimos anos entre seres humanos e animais de estimação, surge a consciência da necessidade de uma convivência equilibrada. “Essa questão está relacionada ao fato de que a condição de animal dos pets passa, aos poucos, a ser entendida pelas famílias como saúde e bem-estar.”

Desafios

Como toda profissão, a Zootecnia também enfrenta desafios. O Prof. Dr. Celso da Costa Carrer, docente na FZEA-USP e membro da Comissão Técnica de Políticas Públicas do CRMV-SP, considera que alcançar o reconhecimento da profissão institucionalmente é um deles. “Estamos maduros no mercado, que já reconhece a importância da profissão. Agora precisamos quebrar paradigmas ultrapassados e fortalecer o conceito de soma de competências multidisciplinares.”

Segundo a Profa. Dra. Ana Cláudia Ambiel, zootecnista integrante da Comissão Técnica de Ensino e Pesquisa da Zootecnia do CRMV-SP e presidente da Comissão Nacional de Educação em Zootecnia do CFMV, a lista de entraves a serem superados também inclui o desenvolvimento de uma visão mais estratégica nas universidades. “O ensino da Zootecnia precisa ser repensado para atender o dinamismo do mercado.”

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