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Quinta-Feira, 21 de junho de 2018
21-05-2018
APTA é uma das finalistas em evento internacional de inovação em saúde animal

Agência apresentará produto inédito capaz de substituir os antibióticos na produção de bovinos de corte

Fonte: www.segs.com.br

A Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, é uma das seis finalistas da Animal Health Innovation Latin America, na categoria Showcase Regional 2018. Entre 29 e 30 de maio de 2018, na InterContinental São Paulo, a APTA apresentará seu suplemento alimentar à base de anticorpos para substituir o uso de antibióticos na produção de bovinos de corte. O evento reunirá mais de 130 líderes do setor, instituições públicas, start-ups e pesquisadores com o intuito de celebrar a inovação e colaboração dentro do setor de saúde animal. As tecnologias selecionadas estão disponíveis aos participantes e empresas que podem agendar reuniões de negociação com os pesquisadores. A Animal Health Innovation Latin America é uma iniciativa da Kisaco Research.

A APTA foi a única instituição de pesquisa selecionada para apresentar seu trabalho e concorrerá com as empresas Handvet, Laboratório Profitus, Soluções Genômicas, Thinkmilk e H4Hoofs Tecnologia da Informação. “Estar entre os finalistas é muito importante para a APTA para o estabelecimento de parcerias com a iniciativa privada visando escalonar a produção desse produto. Além disso, é uma oportunidade de intercâmbio com a comunidade científica internacional”, afirma Geraldo Balieiro Neto, pesquisador da Agência.

Segundo Balieiro Neto, os ruminantes não podem ser alimentados como aves, suínos e peixes em função da enorme variação na composição e qualidade do volumoso, assim como os sistemas de produção em confinamento ou pastagens, o que impede a padronização do balanceamento da dieta e da qualidade do produto final. “Em sistemas intensivos são utilizadas quantidades de concentrados promovendo alto desempenho e reduzindo a variação na dieta e na qualidade da carne bovina, no entanto se faz necessário uso de antibióticos para evitar acidose metabólica. Os antibióticos atuam como promotores de crescimento, mas acabam trazendo prejuízo para a saúde humana, com a s e l e ç ã o de superbactérias, por isso, estão sendo proibidos em países europeus”, explica.

O produto que será apresentado pela APTA é a base de anticorpos associados a L-Lisina HCL e tem a mesma função dos antibióticos na produção de bovinos de corte com a diferença de ter efeito específico contra bactérias indesejáveis, ou seja, aquelas que causam de fato prejuízo para saúde e o ganho de peso dos animais. “O produto contendo Streptococcus equinus JB-1 associado à L-Lisina permite reduzir ao máximo a quantidade de fibras da dieta, padronizando a alimentação e mantendo os animais saudáveis no confinamento”, afirma.

As pesquisas para desenvolver o produto vêm sendo desenvolvidas pela APTA desde 2012. Este é o primeiro produto brasileiro com essas características. De acordo com o pesquisador, é provável que no Brasil o registro de antibióticos no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) seja alterado para medicação com uso terapêutico, necessitando de prescrição do médico veterinário e passando a ser administrados pela água ou via injetável, o que encarecerá sua utilização. “Estamos disponibilizando uma alternativa inovadora aos produtores, antevendo a demanda”, afirma o pesquisador.

O pesquisador afirma que caso sejam propostos novos sistemas de regulação e monitoramento do uso e venda de medicamentos antimicrobianos para animais, alterando-se os critérios que permitem o uso dos antibióticos como aditivo alimentar, a não utilização da tecnologia implicaria em perdas da ordem de 12% no ganho de peso. “Se isso ocorrer e não existir alternativa no mercado, a carne ficará mais cara na prateleira e o Brasil perderá competitividade”, diz.

O produto desenvolvido pela APTA pode ser inserido na ração e possui a mesma funcionalidade dos antibióticos, com a diferença de que os antibióticos inibem o crescimento de bactérias gram-positivas, incluindo microrganismos benéficos aos animais. “Durante a pesquisa percebemos que o efeito dos antibióticos é superior inicialmente e inferior no terço final do período de confinamento quando comparado ao produto desenvolvido pela APTA. Esse aumento do ganho de peso proporcionado pelo produto natural é um plus, mas o maior atrativo é substituir o antibiótico, que está em vias de controle pelo MAPA. Estamos nos antecipando a um problema e promovendo maior segurança alimentar”, explica Balieiro.

Superbactérias

Um estudo encomendado pelo governo britânico, coordenado pelo pesquisador Jim O’Neill, alerta que mais de 10 milhões de pessoas devem morrer anualmente infectadas por superbactérias até 2050. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), há consenso sobre a ameaça global de infecções resistentes a antibióticos que, em média, matam mais de 700 mil pessoas por ano, número que, de acordo com especialistas, poderá ser bastante superior e que, portanto, merece atenção urgente de líderes mundiais.

A publicação Review on Antimicrobial Resistance, entre outras ponderações, recomenda reduzir o uso desnecessário de antibióticos na agricultura e pecuária, estabelecer um Fundo de Inovação Global de US$ 2 bilhões para pesquisa em estágio inicial e promover o uso de vacinas e alternativas aos antibióticos. Nos Estados Unidos, 70% dos antibióticos são usados em animais.

“Pesquisas como essa são importantes para dar segurança ao produtor brasileiro e a toda a cadeia produtiva. A APTA, por meio do estabelecimento dos Núcleos de Inovação Tecnológica e devido ao novo arcabouço jurídico, tem se aproximado do setor de produção, disponibilizando ao mercado produtos e processos inovadores, uma recomendação do governador Márcio França”, afirma Francisco Jardim, secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

 
 
             

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