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Quinta-Feira, 21 de junho de 2018
21-05-2018
Criação de porcos usa alta tecnologia para garantir leitões de qualidade

Primeira central de sêmen do país fica em Santa Catarina; Técnica acelera os cruzamentos e melhora a qualidade dos rebanhos

Texto: Globo Rural/Por Neide Duarte

Na região de Concórdia, oeste de Santa Catarina, existem muitos frigoríficos e granjas onde se criam suínos. Santa Catarina é o principal produtor brasileiro e é na região que fica também a primeira central de sêmen do país, criada há mais de 40 anos. A tecnologia e a genética buscam qualidade e sanidade para os leitões que ainda vão nascer.

Porco nessa região é sinônimo de higiene e de limpeza. Toda a equipe do Globo Rural, para poder chegar perto de grandes machos reprodutores, tiveram que tomar um banho com sabonete bactericida e depois colocar uma roupa apropriada.

Com o equipamento esterilizado e com roupas higienizadas o Globo Rural entrou na Central de Sêmen da Associação de Criadores de Suínos de Santa Catarina.

Esse rigor é para que nada ameace a saúde desses reprodutores que custam, em média, 16 mil reais cada um.

“Se por acaso tivermos o problema de contaminação, um tipo de doença, isso vai passar para os produtores de suínos, que terão os índices de produtividade prejudicados”, explica Osmar Dalla Costa, zootecnista da Embrapa.

Hoje cerca de 85% da produção de suínos de Santa Catarina é feita através da inseminação artificial. Isso garante maior controle na criação de um rebanho mais saudável.

A Central de Sêmen da Associação de Criadores de Suínos de Santa Catarina produz em média 19 mil doses de sêmen por mês, para atender 250 produtores independentes e de cooperativas de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, que criam mais de oito mil fêmeas nas suas granjas.

Na central de sêmen os machos vivem numa temperatura climatizada de 25 graus. Os boxes são individuais, tem seis metros quadrados, o piso é ripado, conforme os padrões exigidos pelo bem estar animal. Cada um bebe cerca de 20 litros de água por dia, e come 2,5Kg de ração feita de milho, farelo de soja, minerais e aminoácidos, alimentação específica para machos reprodutores.

“Os animais são conduzidos dentro do manejo racional sem gritarias, sem pancada, eles são extremamente dóceis”, mostra o zootecnista.

Eles são brasileiros; a maioria catarinenses, uns poucos mineiros. São bisnetos e tataranetos de uma linhagem de porcos norte americanos e europeus, que estão entre as melhores do mundo em qualidade.

“Para ser um bom reprodutor, tem de ser muito bem tratado para produzir sêmen em grande quantidade e de boa qualidade, isso vai repercutir na cadeira produtiva”, explica Dalla Costa.

Esses suínos nunca cruzaram com uma fêmea de verdade, na hora de coletar o sêmen eles sobem num manequim de coleta, um modelo feito de metal. Eles são condicionados aos seis meses de idade, quando chegam à central. Os porcos mais jovens acompanham os mais velhos até a sala de coleta, ali pela observação e pelo cheiro do sêmem eles aprendem o que devem fazer.

Estimulados por um funcionário ejaculam num copo coletor. A temperatura do copo é de 36 graus, para o sêmen não ter um choque térmico, o que poderia provocar a morte dos espermatozóides. O sêmen vai para o laboratório, onde uma amostra será coletada e analisada. Essa análise que determina se o material será utilizado ou descartado.

“A gente tem mais ou menos uma base, mas quem vai aprovar ou reprovar esse ejaculado, é o sistema. O que a gente toma cuidado é a questão das aglutinações, que pode ser alguma parte de contaminação bacteriana”, diz Mauro Serafim, veterinário.

Uma vez aprovado, o material ejaculado será diluído numa água extremamente pura, depois enriquecido com nutrientes. Esse material é envazado em doses de 50 e de 80 ml. As doses são coletadas e distribuídas no mesmo dia ao produtor que terá até sete dias para usar o material. Cada dose leva a identificação do macho reprodutor.

Nos arquivos do computador ficam registradas a quantidade de sêmen que cada animal produziu. Uma nova coleta só poderá ser feita depois de cinco dias. “Hoje, em média, a gente trabalha na central com 35, 40 doses por ejaculado. Isso representa de 12 a 15 fêmeas por animal”, comenta Serafim.

Apesar do tratamento de personagens principais, a metade dos suínos, 65 machos vão para o abate nos frigoríficos, nos próximos meses. Outros 65 machos mais jovens vão chegar para substituí-los. Um porco reprodutor não vive mais de dois anos numa central de inseminação.

“A gente não pode ficar com um animal muitos meses ou anos dentro de uma central, porque a gente supõe que hoje os animais estão vindo melhor do que há dois anos atrás, então faz parte do melhoramento genético, porque a vida útil dele, produtiva, acabou”, explica o veterinário.

 
 
             

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