Segunda-Feira, 22 de julho de 2019
28-04-2009
Pequenos objetos viram perigosos "petiscos" para animais de estimação

DAYA LIMA
da Revista da Folha

Quando Negris, um cão schnauzer de oito anos, começou a usar muita força na hora de defecar, o artista plástico Carlos Negrini, 41, viu que algo estava errado. Afinal, o intestino do cão sempre havia funcionado como um relógio.
Logo, outros sintomas apareceram. "Negris ficou triste, amuado." Na hora de brincar, mais um alerta: a barriga do animal estava dura e quente. O dono só percebeu a gravidade da situação quando o animal parou de comer. "Ele ama comida, jamais recusaria um bifinho."
O pet andava de barriga cheia. No caso, o "alimento" foi um bichinho de pelúcia, brinde de uma grande rede de fast food. A veterinária Andressa Gianotti, cirurgiã do Hospital Veterinário da USP, está acostumada a receber pacientes nas mesmas condições. "Por mês, temos uma média de seis a oito casos de pets que ingeriram corpos estranhos", afirma. Segundo ela, entre as vítimas preferenciais estão os filhotes. Mais curiosos, eles querem cheirar e mastigar tudo.
A veterinária conta que já encontrou de tudo na barriga de animais domésticos. "Chupetas, bicos de mamadeira, moeda, bolinhas de gude, caroços de frutas, fio dental", enumera Andressa, que faz um alerta também para objetos inimagináveis de serem engolidos: agulhas, aparelhos ortodônticos e até preservativos.
O dono de Negri nunca imaginou que um bichinho de lã fosse o responsável pelo desconforto do animal. Até que um dia, depois dos primeiros sintomas, observou algo estranho saindo pelo ânus do cachorro. "Achei que era sujeira. Quando fui limpar, tiras do enchimento do brinquedo saíam de dentro dele." A quantidade era assustadora. "Não sei como Negris viveu com tudo aquilo de lã na barriga."
A assessora comercial Cristina Lobo, 55, sabe bem o que a veterinária quer dizer com objetos inimagináveis. Em dezembro passado, Jack, seu gato SRD (sem raça definida), de três anos, fez uma cirurgia às pressas por ter ingerido uma alça de biquíni. "Jack é sapeca e, não sei bem por que, tem paixão por fios, franjas de bolsas e alças de lingerie." Certo dia, começou a vomitar e ficou abatido, sem forças para brincar e comer. "Ao levá-lo ao hospital, tomei um susto. Ele precisava passar por uma cirurgia de emergência, já que um ultrassom detectou algo estranho grudado em sua parede intestinal."

Sinais indigestos
O proprietário deve ficar atento ao comportamento do animal. "Quando ingerido, esse tipo de objeto pode ficar preso em partes do aparelho digestivo, travando a passagem da alimentação e das fezes", explica a veterinária.
Os sinais são claros: o animal fica desanimado, sem vontade de comer, com vômito e salivação excessiva, além de dor na região do abdômen.
Dica importante: não tentar soluções caseiras. É recomendável levar o animal o quanto antes ao veterinário, diante da suspeita de que ele tenha engolido algum objeto. "Muitos podem ser removidos sem interferência cirúrgica", diz a veterinária.
Em casos graves, se o problema não for diagnosticado a tempo, o órgão danificado pode se romper, causando infecção generalizada e até a morte do bicho.
Não há motivos para desespero. Os donos de pets devem ter o mesmo cuidado que têm com uma criança. "Afastar objetos pequenos do alcance do animal e evitar brinquedos que podem ser engolidos", diz Vanessa.
Cuidados básicos evitam dor de cabeça. Ficar atento ao material dos brinquedos dos pets. Eles devem ser resistentes, do tipo que não se desfazem facilmente nem soltam fiapos.
No caso de Negris, a travessura teve final feliz. O cão expeliu os pedaços do bichinho de pelúcia sem cirurgia. Um ultrassom comprovou que o seu intestino estava limpo e não foi necessária a intervenção médica para livrá-lo do brinquedo indigesto.

Fonte: Folha Online, acesso em 28/04/2009

 
 
             

Rua Vergueiro, 1753/1759 - 4° e 5° andares -
Vila Mariana - São Paulo
Cep: 04101-000 - SP   [Mapa]

Fone: (11) 5908 4799 - Fax: (11) 5084 4907
Expediente: Segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 16h

   
 
Copyright 2006-2009 © CRMVSP. Todos os direitos reservados.