Fale Conosco  
 
 
 
Sexta-Feira, 19 de outubro de 2018
23-07-2018
Dedicação à profissão é ponto em comum entre premiados do CRMV-SP este ano

Solenidade de entrega dos prêmios acontecerá em setembro, durante a programação da 2ª Semana do Médico-Veterinário

Texto: Assessoria de Comunicação do CRMV-SP

Eles trilharam estradas diferentes, com o mesmo ponto de partida: a graduação em Medicina Veterinária. Ao darem os primeiros passos nos estudos, sonhavam com o exercício da profissão, sem saber para onde a caminhada os levaria. As rotas levaram a rumos diversos. O sucesso, entretanto, foi igualmente consolidado em suas carreiras.

Estamos falando dos médicos-veterinários Enrico Lippi Ortolani; Celso Alberto Gonçalves; José Maurício Barbanti Duarte e Pietro Sampaio Baruselli que, em reconhecimento ao importante trabalho que fizeram e fazem em suas áreas de atuação, serão os premiados do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) em 2018.

Paixão por despertar talentos

O Prêmio Walter Maurício Corrêa (Ensino da Medicina Veterinária) vai para o Prof. Dr. Enrico Lippi Ortolani, graduado pela Universidade de São Paulo (USP), com mestrado em Patologia Clínica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), doutorado em Parasitologia e Livre-docência, também pela USP, e pós-doutorado pelo Moredun Research Institute em Edimburgo- Escócia. O agraciado é ex-diretor da FMVZ USP com intensa atividade no estabelecimento de convênios com universidades do exterior e membro da Conferência Global da OIE em Educação Veterinária.

Sua busca por conhecimento está intimamente atrelada ao encantamento de Ortolani pelo ensino. Professor Titular do Departamento de Clínica Médica da FMVZ-USP, ele conta que logo após a graduação surgiu a oportunidade de lecionar a disciplina “Doenças Nutricionais e Metabólicas.”

“Meu objetivo era atuar como clínico de bovinos. Por sorte do destino, fui parar na docência em clínica, onde pude unir a área que mais me atraía na profissão à experiência de ensinar”, conta Ortolani, que foi diretor da FMVZ-USP e, em 30 anos de atuação como professor, fez inúmeras contribuições ao Ensino, ajudando, por exemplo, na formulação de perguntas para o Exame de Certificação do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), onde integrou a Comissão Nacional de Educação (2007-2009).

O professor atribui sua dedicação ao sentimento de gratificação por contribuir com os alunos na identificação de seus talentos diante de tantas possibilidades que a profissão oferece. “Busco sempre olhar os alunos de forma especial e sou feliz por ser professor.”

A pesquisa como missão em prol da saúde

O Prof. Dr. Pietro Sampaio Baruselli é quem receberá o Prêmio Moacyr Rossi Nilsson (Pesquisa). Ele dedica a carreira, de 33 anos, à pesquisa na área de Reprodução Animal, campo pelo qual passou a se interessar logo no ingresso na faculdade.

Baruselli é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), especializado em Reprodução Animal pela Universidade de Turim, na Itália, com mestrado e doutorado na mesma área pela USP, onde também se tornou livre-docente. Na Universidade de Queensland, na Austrália, fez pós-doutorado. Foi presidente da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões e o representante brasileiro no Congresso Internacional em Reprodução Animal (ICAR).

Em sua atuação, focou na eficiência reprodutiva e aplicação de biotecnologia, em trabalhos de inseminação artificial e transferência de embriões. A experiência levou Baruselli a participar do desenvolvimento de modelo reprodutivo para fazendas brasileiras, que contribuiu para o que afirma ter sido uma revolução do setor.

“Exemplo disso é o que observamos nas matrizes. Há aproximadamente 15 anos, somente 5% delas eram inseminadas. Atualmente, esse índice é de 12%, sendo que são utilizadas tecnologias de sincronização e programação da ovulação das vacas”, ressalta Baruselli, que considera resultado desse novo contexto os R$ 2,5 bilhões movimentados pela cadeia de carne e leite do País.

Para ele, o sentimento é de gratificação. “Atuando na pesquisa pude contribuir para o aumento da produtividade, avanço econômico e também com a valorização dos médicos-veterinários da agropecuária brasileira. Sinto que cumpri meu dever de pesquisador.”

No combate à Febre Aftosa

O Prêmio Ernani Ibirá Gonçalves de Defesa Sanitária Animal será entregue ao médico-veterinário Celso Alberto Gonçalves, por sua participação veemente no controle da Febre Aftosa e da Raiva em herbívoros.

Graduado em Medicina Veterinária pela USP, em 1975, o médico-veterinário ingressou na Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, em 1976, para atuar no Programa Estadual de Combate à Febre Aftosa. Posteriormente, com a criação da Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA), passou a trabalhar como coordenador do Programa Estadual de Combate à Raiva em Herbívoros. Mais tarde, tornou-se diretor do Centro de Defesa Sanitária Animal e do Grupo de Defesa Sanitária Animal. Já em 2006, por solicitação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, atuou junto à Estação Quarentenária de Cananéia, na lida com as quarentenas de animais importados, trabalho que desempenhou por oito anos.

“Dediquei-me com afinco às ações de defesa sanitária animal em minha carreira. Se o Estado de São Paulo não registra casos de Febre Aftosa desde 1996, posso dizer que fiz parte dessa conquista pela saúde de todos”, comenta Gonçalves, que também teve grande atuação técnica na Estação Quarentenária de Cananéia incluindo a recepção da missão da Animal and Plant Health Agency.

Cativado pelo desafio

Médico-veterinário formado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus Jaboticabal, com especialização em Primatologia pela Universidade de Brasília (UnB), mestrado em Genética e Melhoramento Animal e doutorado em Genética, ambos também pela Unesp, o Prof. Dr. José Maurício Barbanti Duarte receberá o Prêmio Faiçal Simon (Medicina de Animais Selvagens).

Atualmente, Barbanti, que foi presidente e diretor científico da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens, é líder do Grupo de Pesquisa em Biologia e Conservação de Cervídeos Brasileiros do CNPq, coordenador do Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos (NUPECCE) da Unesp, campus Jaboticabal, e coordenador do Programa de Conservação em Cativeiro do Cervo-do-pantanal, que recebeu em 2017 o Prêmio Nacional da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente.

Ao comentar como sua carreira se direcionou aos cervídeos, o que o tornou uma referência internacional em trabalhos com essas espécies, Barbanti afirma que esse envolvimento se deu quando ele identificou sua habilidade com esses animais que são de difícil manejo. A escassez de estudos sobre cervídeos também o motivou. “Quando soube dos grandes desafios que a Medicina Veterinária enfrenta nos trabalhos com os cervídeos fui instigado a me dedicar a esses animais. Fiz disso uma missão.”

Os prêmios 2018 do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) serão entregues em solenidade no dia 14 de setembro, durante a programação da 2ª Semana do Médico-Veterinário.

Saiba quem foram os médicos-veterinários que dão nome aos prêmios

WALTER MAURÍCIO CORRÊA (Prêmio de Ensino da Medicina Veterinária)

Walter Maurício Corrêa graduou-se médico-veterinário em 1953 pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP). Foi membro do Conselho Nacional de Pesquisa como Veterinário do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, em 1955. Integrou o Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública da Unesp, como Professor Titular da Disciplina de Enfermidades Infecciosas dos Animais, de 1976 até o momento do seu falecimento, em 06 de julho 1984. Foi chefe do Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Carlos, de 1961 a 1963. Considerado apto para trabalhos de imunofluorescência após Curso Intensivo no Centro Médico do México, patrocinado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1962.

ERNANI IBIRÁ GONÇALVES (Prêmio de Defesa Sanitária Animal)

Médico-veterinário graduado, em 1963, pela Faculdade de Veterinária da Universidade Federal Fluminense. Mestre em Medicina Veterinária Preventiva (Epidemiologia/Saúde Publica) pela Escola Veterinária da UFMG e doutorado em Ciências Biológicas (Microbiologia) pela USP, realizando dissertação de mestrado e tese de doutorado com Estudo Crítico do Índice C em Cobaias e Correlação com Índice Proteção em Camundongos.

Atuou no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na área de controle de Febre Aftosa no Laboratório de Barretos. Foi professor da disciplina de Doenças Infecciosas na Unesp Jaboticabal.

FAIÇAL SIMON (Prêmio de Medicina de Animais Selvagens)

Médico-veterinário formado pela FMVZ-USP, atuou como clínico de animais silvestres e em serviços laboratoriais e de anatomia patológica de diversas espécies. A partir de 1973, passou a atuar na organização do laboratório para patologia, análises clínicas, toxicológicas, microbiológicas, hidrobiológicas, histopatológicas e de preparações para museologia da Fundação Parque Zoológico de São Paulo (FPZSP). Também no zoológico realizou atendimento clínico e cirúrgico a animais silvestres em cativeiro, além de pesquisa de campo das doenças de animais silvestres do Pantanal de Mato Grosso. Também se dedicou à reprodução de animais silvestres brasileiros em cativeiros (Saguis, Saracuras, Iguana, Paca e Gato Mourisco).

MOACYR ROSSI NILSSON (Prêmio de Pesquisa)

Médico-veterinário doutor em Microbiologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), classificado como Pesquisador Cientifico - Nível VI no Instituto Biológico de São Paulo, o ápice da carreira de Pesquisadores no Estado de São Paulo.

Em suas atividades no glorioso Instituto Biológico de São Paulo, compôs com os ilustres colegas Ewald Ernest Trapp e Washington Sugay uma equipe de estudo, diagnóstico e pesquisa sobre a Raiva, reconhecida tanto no País, como no exterior.

Contribuiu com trabalhos em diversas instituições de ensino, como na Escola Nacional de Veterinária da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro; na Faculdade de Higiene e Saúde Publica da USP; na Faculdade de Medicina Veterinária da USP; na Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu da Unesp/SP; na Faculdade de Medicina da USP; no Hospital Emílio Ribas e no Instituto Pasteur.

 
 
             

Rua Vergueiro, 1753/1759 - 4° e 5° andares -
Vila Mariana - São Paulo
Cep: 04101-000 - SP   [Mapa]

Fone: (11) 5908 4799 - Fax: (11) 5084 4907
Expediente: Segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 16h

   
 
Copyright 2006-2009 © CRMVSP. Todos os direitos reservados.