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Quarta-Feira, 12 de dezembro de 2018
19-11-2018
Nova espécie de inseto amazônico pode espalhar leishmaniose

Texto: jornal Correio Braziliense (por Otávio Augusto)

Descoberto no Pará por pesquisadores do Instituto Evandro Chagas, o inseto pertence ao mesmo grupo de mosquitos e borrachudos capazes de transmitir o parasita causador da doença, que pode ser fatal. Em 2016, 12 mil pessoas foram infectadas

Pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC) descobriram um novo inseto que pode transmitir a leishmaniose. A espécie foi identificada em uma área florestal próxima a um campo de mineração em Itaituba, distante 1.300 quilômetros de Belém, no Pará. Ao todo, os cientistas capturaram cinco exemplares de machos da espécie. Ela pertence ao gênero flebotomíneo, mesmo grupo das moscas, mosquitos e borrachudos que, em grande parte, transmitem o parasita causador da doença.

O inseto é cinco a seis vezes menor que um mosquito, e só é possível vê-lo com lupa ou microscópio. Diferente do Aedes aegypti, por exemplo, ele não precisa da água para se reproduzir. Vive em ambiente terrestre, comumente no solo de tocas de animais como tatus. Os pesquisadores conseguiram capturá-lo com o uso de armadilhas. Não foi coletado nenhum exemplar fora da região amazônica.

A partir do achado — batizado Trichophoromyia iorlandobaratai —, os cientistas terão outros dois ciclos de trabalho: encontrar a fêmea do inseto e comprovar se a espécie é transmissora da leishmaniose. “Para ela ser considerada vetora, precisa ter a preferência alimentar, ter atratividade à espécie humana e ter a presença do sangue humano no intestino”, explica Thiago Vasconcelos dos Santos, um dos autores do estudo.

A preocupação dos especialistas é que o inseto possa disseminar a leishmaniose, doença infecciosa que afetou 12 mil pessoas no país em 2016 — dado mais recente do Ministério da Saúde. “Pela proximidade com outras espécies, a leishmaniose é o maior risco. Isso pode explicar inclusive o aumento dos casos da enfermidade. Existe a possibilidade de transmissão de arbovírus, ou seja, síndromes febris”, completa Thiago.

Essa seria a 23ª espécie de flebotomíneo que transmite a leishmaniose. “Acrescentar conhecimento dos vetores da doença sempre é importante. Agora, o essencial é relacionar o comportamento do inseto com a doença. Isso ainda precisa ser estudado. Alguns transmitem com maior eficiência, outros, não. Isso depende do inseto, do animal que ele vai picar e da preferência de se alimentar de sangue humano”, comenta Gustavo Adolfo Sierra Romero, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB).

Existem dois tipos de leishmaniose: a visceral e a tegumentar. A transmissão do parasita Leishmania ocorre apenas por meio da picada do mosquito fêmea infectado. Na maioria dos casos, o período de incubação é de dois a quatro meses, mas pode variar de 10 dias a 24 meses. Os principais sintomas são febre de longa duração, fraqueza, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea, problemas respiratórios e sangramentos na boca e nos intestinos. Se não tratada, a doença pode causar a morte.

Em qualquer lugar do Brasil, podem se encontrar flebotomíneos. “Nas américas, existem mais de 500 espécies, mas apenas 10% estão associadas à leishmaniose”, acrescenta Thiago, que não descarta a possibilidade de o inseto se adaptar a áreas urbanas. Uma das possibilidades é na região metropolitana de Belém. O IEC já identificou 80 espécies diferentes de flebotomíneos na Amazônia.

 
 
             

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