Quarta-Feira, 20 de março de 2019
01-03-2019
CRMV-SP alerta para cuidados com animais silvestres durante o Carnaval

Entre as ocorrências mais comuns estão os atropelamentos: em 2017, foram registrados cerca de 1,2 mil atropelamentos de animais nas rodovias paulistas

No feriado prolongado de Carnaval muitos brasileiros costumam viajar de carro com amigos ou família, mas é preciso agir com cautela e prudência, principalmente no caso da presença de animais nas rodovias. Uma das dúvidas mais comuns entre as pessoas é a respeito do que fazer quando ocorre um acidente envolvendo animais silvestres.

O Dr. Marcello Schiavo Nardi, presidente da Comissão de Médicos-Veterinários de Animais Selvagens do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), explica que todos os animais, inclusive aves, correm risco de serem vitimados nas estradas. “É preciso respeitar as velocidades das vias e atentar às placas de sinalização de animais silvestres e acostamentos. E, se possível, viajar durante o dia, pois os atropelamentos ocorrem mais à noite”, recomenda Nardi, destacando que um dos motivos que levam os animais ao asfalto à noite é o fato de ser mais quente que na mata.

É importante não buzinar nem acender o farol alto, pois isso pode assustar o bicho e até causar um acidente, dependendo da direção para onde ele corra. Se houver uma distância segura do carro de trás, o primeiro passo é reduzir a velocidade para evitar atropelar o animal. Deve-se fechar os vidros e passar em marcha lenta e, depois informar ao posto policial mais próximo sobre a presença de animal na pista.

No caso de acidente, como são espécies muito distintas, somente um profissional especializado poderá fazer o diagnóstico e tratamento correto do animal. Quase todos os procedimentos médicos-veterinários são diferentes dos animais domésticos: as doses dos medicamentos, a forma e administração desses medicamentos e também a fisiologia de cada espécie.

Segundo Marcello Nardi, ao presenciar um acidente deve-se acionar imediatamente os órgãos competentes, como Polícia Ambiental, Polícia Rodoviária ou mesmo a concessionária responsável pela administração da rodovia. “Se a pessoa não é da área, não deve capturar ou pôr a mão no animal, pois é perigoso”, enfatiza o médico-veterinário.

Segundo a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp), no ano de 2017, foram registrados cerca de 1,2 mil atropelamentos de animais (silvestres e domésticos) nas rodovias paulistas.

Lugares isolados

Para quem prefere se aventurar por lugares mais distantes, como praias, florestas e áreas de preservação, dividir o espaço com animais silvestres é algo comum, mas demanda atenção e cuidados. Algumas espécies podem se sentir mais seguras sem a presença de pessoas, por isso, é necessário respeitar os animais e seus limites de aproximação e, principalmente, de interação.

A médica-veterinária Cristina Fotin, membro da Comissão de Médicos-Veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP, recomenda evitar o uso de som muito alto e fogueiras em locais isolados e próximos a áreas naturais. “A proximidade com certos animais pode predispor a mordeduras e arranhões, que podem transmitir doenças para as pessoas. O ideal é colocar alimentos naturais, como frutas, nos galhos mais altos das árvores, para poder apreciar os animais, sem contato direto”, comenta.

Ela também sugere armazenar o lixo em recipientes com tampas. “Nunca oferecer restos de alimentos, pois o ser humano pode transmitir doenças aos animais, principalmente aos mamíferos, como macacos, gambás e guaxinins”, enfatiza.

Para evitar ataques às pessoas, inclusive por animais peçonhentos, como cobras e aranhas, a médica-veterinária orienta inspecionar bem as instalações. “Levantar colchões, abrir armários, afastar camas e móveis das paredes pode ajudar a encontrar animais peçonhentos ou venenosos escondidos”, afirma Cristina. “Se o local for dentro ou próximo a uma área natural, deve-se guardar roupas e sapatos dentro da mala ou armário, para evitar que animais se escondam e surpreendam as pessoas”, ressalta.

Ao fazer caminhadas ou trilhas, aconselha-se usar calça comprida, meias e tênis, para evitar ataques de cobras, assim como repelentes nos braços e demais áreas expostas, para prevenir contra picadas de insetos. “Prestar atenção ao apoiar as mãos em galhos e pedras é outra medida preventiva de acidentes. Ao sentar em pedras ou troncos de árvores, sempre verificar antes se não há animais peçonhentos ou venenosos escondidos embaixo ou nas laterais”, salienta.

Muitos animais silvestres são protegidos por Legislação Federal (Lei nº 9.605/98, também conhecida como Lei de Crimes Ambientais), por isso, é importante nunca capturá-los ou removê-los de seu habitat, e nem transportá-los para outros espaços. Algumas espécies são únicas e estritamente presentes em determinados habitats, de forma que o transporte para outras regiões pode ocasionar desequilíbrio ambiental.

Não há necessidade de alimentá-los: isso pode causar prejuízos para a qualidade de vida desses bichos. Grande parte das crias depende de cuidados dos genitores, principalmente quando se trata de alimentação. Isso acontece especialmente no caso das aves, que quando retiradas de perto dos pais, têm as chances de sobrevivência reduzidas.

 
 
             

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