Quinta-Feira, 23 de maio de 2019
14-03-2019
Estabelecer cultura de prevenção e diagnóstico precoce de doenças renais é desafio na Medicina Veterinária

Dia Mundial do Rim: segundo estimativas mundiais, um em cada três gatos e um em cada oito cães apresentarão Doença Renal Crônica (DRC)

Texto: Assessoria de Comunicação do CRMV-SP

Com frequência cães e gatos chegam aos consultórios e clínicas médico-veterinárias apresentando estágio quatro de Doença Renal Crônica (DRC) e todas as complicações comuns a essa grave patologia, incluindo índices extremamente elevados de creatinina no sangue. De acordo com a médica-veterinária Maria Cristina Santos Reiter Timponi, presidente da Comissão das Entidades Veterinárias do Estado de São Paulo do CRMV-SP, essa realidade é prova de que estabelecer uma cultura de prevenção e diagnóstico precoce dos problemas do trato urinário é um desafio a ser enfrentado pelos profissionais que atuam na clínica de pequenos animais.

“Posso afirmar que, dentre os pacientes crônicos, as patologias renais são a segunda mais incidente, perdendo apenas para as dermatológicas”, enfatiza Cristina Timponi, que atua como clínica de pequenos animais há 30 anos.

Segundo ela, muitos chegam com sintomas – em decorrência da alta taxa de creatinina no sangue – que debilitam ainda mais o estado geral do paciente, como vômito, diarreia com sangue, ulcerações bucais que o impedem de se alimentar e até convulsões.

Prevalência

O médico-veterinário presidente do Colégio Brasileiro de Nefrologia Veterinária, Luciano Henrique Giovanini, comenta que a prevalência mundial de doença renal crônica (DRC) é maior em gato.

“Há estudos que demonstram que um em cada três gatos, e um em cada oito cães, apresentarão DRC”, diz Giovanini, que ressalta que essa prevalência aumenta com a idade.

Prevenção

“Por isso é primordial que os clínicos procurem desenvolver com os tutores, desde os animais filhotes até os mais velhos, especialmente os felinos, o hábito de realizar exames preventivos”, orienta Cristina Timponi, que ainda destaca o baixo custo de exames simples, porém muito importantes, como o de Urina I. “Além de evitar que o pet sofra, é infinitamente mais barato do que o valor de tratamentos para um doente renal crônico.”

Cristina Timponi enfatiza também o risco de entrada de bactérias que se alojam nos rins a partir de problemas bucais, como gengivite e periodontite, devido à falta de limpeza de tártaro periodicamente.

Tecnologia: contribuição para os tratamentos

Como ocorre em outras áreas da Medicina Veterinária, os equipamentos com recursos tecnológicos inovadores para diagnóstico e tratamento de doenças renais têm custo muito mais elevado que no exterior. “Isso dificulta a compra e também a recuperação do investimento feito nesses equipamentos”, menciona o médico-veterinário presidente do Colégio Brasileiro de Nefrologia Veterinária, Luciano Henrique Giovanini. Como exemplo, ele cita as máquinas de hemodiálise continua – Continuous Renal Replacement Therapy (CRRT) e os ureteroscópios.

“Com mais facilidade de acesso ao CRRT, teríamos auxílio para tratar alguns aspectos de doenças renais, bem como alguns casos de intoxicação, além de cardiopatias congestivas e algumas doenças imunomediadas (como anemia hemolítica autoimune)”, enfatiza Giovanini.

Quanto ao ureteroscópio, o médico-veterinário comenta que a contribuição é para mais sucesso nos tratamentos, a partir da desobstrução de ureteres de cães grandes, bem como para a implantação de cateter ureteral.

Restrições para uso de fármacos

No tangente aos fármacos, Luciano Giovanini, argumenta que as dificuldades são semelhantes às enfrentadas pela Medicina humana no Brasil.

“Temos a fenilpropanolamina, para alguns casos de incontinência urinária, por exemplo, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autoriza o uso no Brasil”, afirma Giovanini, que ainda cita o calcitriol suspensão oral e quelante intestinal de fósforo a base de lantânio. “Esses não estão disponíveis nem para uso na Medicina humana”, destaca o médico-veterinário, dando uma ideia da dimensão da dificuldade para que, enfim, esses medicamentos se tornem recursos disponíveis na Medicina Veterinária brasileira.

 
 
             

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