Terça-Feira, 25 de junho de 2019
05-06-2019
Dia Mundial do Meio Ambiente: Missão dos profissionais passa pela redução de impactos

Boas práticas no exercício da Medicina Veterinária e da Zootecnia são necessidade iminente para a preservação das espécies

Texto: Assessoria de Comunicação do CRMV-SP

Quando o assunto é a preservação do meio ambiente e das espécies de vida livre, é comum que os profissionais atribuam aos campos da pesquisa e da clínica de animais silvestres a grande contribuição para o sucesso nessa empreitada. No entanto, a preservação de fauna e flora começa nas entrelinhas da rotina de trabalho de todos os campos da Medicina Veterinária e da Zootecnia, com práticas cuidadosamente adotadas a fim de reduzir os impactos ambientais provocados pela geração de resíduos.

De acordo com a Dra. Cristina Maria Pereira Fotin, membro da Comissão Técnica de Médicos-Veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP, ainda há poucas pesquisas sobre o real impacto dos resíduos na vida silvestre. Entretanto, o que já tem sido constatado é preocupante. “Estudos feitos recentemente na Amazônia, por exemplo, identificaram que 80% das várias espécies de peixes do Rio Xingu tinham microplástico em seus corpos.”

O uso e descarte indiscriminados de substâncias químicas, o que inclui os fármacos, agravam o cenário geral – chegando à natureza seja via lençóis freáticos, seja por destinação incorreta de resíduos que podem ser acessados por espécies silvestres de áreas verdes próximas a regiões urbanas, seja pela poluição do ar.

Presidente da Comissão Técnica de Médicos-Veterinários de Animais Selvagens do CRMV-SP, o Dr. Marcello Schiavo Nardi comenta que são inúmeros os problemas que têm sido enfrentados pelos animais. “Um caso emblemático foi o do DDT, um pesticida, que provocou problema nas cascas dos ovos das águias nos Estados Unidos, devido ao efeito cumulativo de os animais comerem presas contaminadas pela substância. Há também registros de problemas hormonais em anfíbios por causa do descarte de hormônios sintéticos. Isso sem contar os agrotóxicos, que estão matando as abelhas e que, segundo estudos, podem estar provocando problemas reprodutivos em tartarugas da Amazônia.”

Pesquisas recentes também apontam que a poluição tem causado doenças oncológicas em animais de vida livre, assim como tem sido observado entre humanos.

A proximidade das áreas urbanas, rurais e verdes configura um contexto em que basta um pequeno erro nos processos envolvendo animais domésticos e de produção para desencadear contaminações. O impacto ocorre em cadeia, a partir das aves e pequenos animais – como gambás, macacos e raposas – que carreiam resíduos para lugares mais distantes.

A sustentabilidade é intrínseca às profissões

A Profa. Dra. Elma Pereira dos Santos Polegato, presidente da Comissão Técnica de Saúde Ambiental do CRMV-SP, alerta que toda conduta médica-veterinária e zootécnica deve ser pautada nos conceitos de sustentabilidade e Saúde Única – fundamentado no tripé de saúde animal, humana e ambiental.

“As áreas de atuação das duas profissões são muito amplas e, certamente, em todas elas há medidas a serem priorizadas para evitar que o meio ambiente e, consequentemente, os animais, sejam prejudicados”, diz Elma, que considera que inicialmente deve-se pensar no uso racional de recursos – água, energia elétrica, fármacos e insumos.

Segundo o médico-veterinário Marco Antonio Crescimanno de Almeida, membro da Comissão Técnica de Saúde Ambiental do CRMV-SP, cabe aos profissionais a missão de assegurar a destinação ambientalmente adequada de diferentes tipos de resíduos gerados na produção animal, por menor que seja ele.

“Isso inclui os resíduos de serviços de saúde; restos de alimentos; cama de frango; carcaças de animais mortos e restos de parição; rejeitos das culturas; efluentes produzidos nas agroindústrias, como abatedouros, laticínios e graxarias; entre outros”, diz Almeida.

A gestão nas compras também é fundamental. “Ao comprar insumos e medicamentos sem estratégia, pode haver desperdício com o vencimento dos produtos”, argumenta Elma.

Escalas maiores

O reaproveitamento de matérias que podem ser convertidas em biocombustível, como é o caso de carcaças de animais, é apontado pela médica-veterinária como alternativa que pode ser adotada tanto na produção animal, quanto em estabelecimentos médico-veterinários.

“Não pode o profissional se restringir ao que o seu município faz em relação aos resíduos. É preciso pensamento crítico e autorresponsabilização sobre a conduta de trabalho”, enfatiza Elma.

 
 
             

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