Terça-Feira, 17 de setembro de 2019
02-08-2019
Profissionais devem incentivar os tutores a vacinar seus pets contra a raiva

De acordo com o Ministério da Saúde, por falta de vacina, a campanha nacional de imunização gratuita não acontecerá em agosto

Texto: Assessoria de Comunicação do CRMV-SP

A campanha de vacinação gratuita de cães e gatos contra raiva, normalmente promovida em agosto, está sem data para acontecer, por conta de uma alteração no cronograma de entrega das vacinas ao Ministério da Saúde. O CRMV-SP orienta que os médicos-veterinários informem seus clientes e incentivem os tutores a imunizarem seus animais de estimação nas clínicas e consultórios, para garantir a prevenção da doença.

“Os profissionais podem alertar as pessoas que possuem cães e gatos quanto à importância de zelar pela saúde de seus animais – e, consequentemente, pela saúde coletiva –, o que inclui manter a carteira de vacinação anual do pet em dia”, ressalta a médica-veterinária Dra. Adriana Maria Vieira Lopes, presidente da Comissão Técnica de Saúde Pública Veterinária do CRMV-SP.

Entenda a alteração no calendário da campanha

De acordo com nota oficial do Ministério da Saúde, o laboratório que produz a vacina antirrábica inativada para uso exclusivo em cães e gatos (VARC) e fornece o imunobiológico ao governo informou que o cronograma de envio do produto foi alterado. Com isso, a previsão é de que a entrega aconteça, apenas, a partir do mês de novembro.

Uma vez que somente após essa entrega o Ministério poderá distribuir as vacinas ao Estado de São Paulo, que por sua vez distribui aos municípios, a campanha de vacinação contra a raiva não tem data para ser realizada.

Há regiões do Brasil que precisam ser priorizadas, por serem localidades com maior risco epidemiológico. Segundo o ministério, serão distribuídas doses de vacina apenas para as cidades do Estado do Maranhão, bem como aos municípios dos Estados da Região Nordeste (CE, PE, PI, RN) e que fazem fronteira com a Bolívia (MS,MT, RO e AC).

Uma doença negligenciada

A raiva é uma doença causada por vírus, do gênero Lyssavirus, da Família Rhabdoviridae. É caracterizada como uma encefalite progressiva aguda, de distribuição mundial, que acomete os mamíferos. Sua transmissão ao ser humano ocorre pelo contato com a saliva de animais infectados com o vírus e, geralmente, a infecção se dá por meio de mordeduras, podendo também ser por meio de arranhaduras e/ou lambeduras.

“A raiva é uma doença negligenciada, com praticamente 100% de letalidade e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em mais de 95% dos casos humanos a transmissão ocorre por agravos causados por cães infectados”, argumenta a médica-veterinária Dra. Luciana Hardt Gomes, que integra a Comissão Técnica de Saúde Pública Veterinária do CRMV-SP.

A prevenção é feita por meio de vacinas, em esquemas pré ou pós-exposição. “No entanto, ainda causa aproximadamente 59 mil mortes por ano em todo o mundo, devido à falta de acesso à profilaxia ou inexistência desta em algumas localidades. As crianças são as maiores vítimas”, comenta a médica-veterinária Dra. Adriana Maria Vieira Lopes, presidente da Comissão.

As variantes antigênicas mais encontradas no Brasil são: variantes 1 e 2 , isolada dos cães; variante 3, de morcego hematófago Desmodus rotundus; variantes 4 e 6, de morcegos insetívoros.

Impactos e prevenção

No Estado de São Paulo nunca houve circulação da variante 1. Quanto à variante 2, não há circulação desde 1999.

Porém, levando em consideração que a entrega da próxima remessa de vacina antirrábica para cães e gatos ao Ministério da Saúde está prevista para o fim do ano, é imprescindível que sejam reforçadas, pelos municípios, as ações de vigilância, prevenção e controle, conforme recomendações do Guia de Vigilância em Saúde/MS-2019.

Políticas de erradicação

Em caso de suspeita de raiva atendidos em estabelecimentos médico-veterinários particulares, os profissionais devem notificar formalmente o poder público municipal, por meio do Centro de Controle de Zoonoses.

Considerando o monitoramento da circulação viral em animais, os municípios devem adotar o envio de amostras, em bom estado de conservação, identificadas e com fichas de “requisição de exame laboratorial para diagnóstico de raiva”, devidamente preenchidas, ao laboratório de diagnóstico, conforme orientações constantes no site do Instituto Pasteur (http://www.saude.sp.gov.br/instituto-pasteur/homepage/acesso-rapido/envio-de-amostras).

Saiba mais sobre a alteração no cronograma de vacinação antirrábica 2019

Para mais esclarecimentos, os médicos-veterinários podem fazer contato com equipes técnicas da Coordenação-Geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial (CGZV) do Ministério da Saúde, pelo e-mail raiva@saude.gov.br e pelo telefone (61) 3315-3089. Também é possível contatar o Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis (DEIDT), pelo número (61) 3315-3646.

 
 
             

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