Quarta-Feira, 18 de setembro de 2019
16-08-2019
Premiados do CRMV-SP 2019 compartilham histórias de persistência



João Pedro de A. Neto




José Cézar Panetta




Cristiane S. Pizzutto



Assessoria de Comunicação do CRMV-SP

Atualizado em 02/09/2019

De um sonho de criança à paixão por desvendar o desconhecido, os premiados do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) deste ano têm em suas trajetórias algumas semelhanças que vão além da graduação em Medicina Veterinária. Uma das principais é a persistência.

Foi insistindo no que muitos desacreditavam que a Profa. Dra. Cristiane Schilbach Pizzutto, o Prof. Dr. José Cézar Panetta e o méd.-vet. João Pedro de Andrade Neto se tornaram grandes referências em seus campos de atuação. Eles serão premiados pelo CRMV-SP, após indicações recebidas por votação aberta, pela carreira que construíram nas áreas de Comportamento Animal, Inspeção e Tecnologia de Alimentos e Clínica Médica Veterinária, respectivamente.

Honrando o patrono

Quando soube que receberia o Prêmio Dr. Paschoal Mucciolo (Inspeção e Tecnologia de Alimentos), o Prof. Dr. José Cezar Panetta logo falou de sua imensa alegria. “O prêmio leva o nome do meu tio, que foi uma grande inspiração na minha vida e um dos pioneiros na área de Inspeção de Alimentos”, argumenta. O médico-veterinário conta que o tio fez papel de pai quando perdera o seu, aos nove anos de idade. “Eu o acompanhava à USP em seu trabalho como docente.”

Panetta graduou-se em Medicina Veterinária (Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo - FMVZ-USP), onde se aposentou como professor titular. Possui mestrado voltado ao estudo da tuberculose bovina (USP) e doutorado focado na tecnologia para abate de frangos (USP). Soma experiências como fiscal no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e como presidente do CRMV-SP, durante triênio 1978-1984. Atualmente é professor titular da Universidade de Santo Amaro e editor da Revista Higiene Alimentar.

Encantado pela contribuição da área para a saúde coletiva, dedicou-se à Inspeção de Alimentos. “Atualmente, é trivial ir ao açougue e comprar uma carne de qualidade. Mas para chegarmos a esse resultado, foram longos anos de trabalho, iniciados por pioneiros como o meu tio e continuado com afinco por profissionais que vieram depois, como eu”, afirma ele, que destaca a persistência ao atuar neste campo ainda pouco conhecido não só pela população, mas pelos próprios profissionais. “Na docência, minha meta é contribuir para a qualificação de médicos-veterinários nessa área tão fundamental para a sociedade.”

Em nome do gorila

Ela tinha sete anos quando, em visita ao Zoológico de São Paulo, tomou para si a missão de oferecer melhorias à vida do gorila Virgulino. “Eu disse ao meu pai que seria médica-veterinária e que cuidaria daquele animal”, lembra a Profa. Dra. Cristiane Schilbach Pizzutto, que receberá o prêmio Hannelore Fuchs (Comportamento Animal), criado este ano pelo CRMV-SP.

Cristiane fez mestrado em Anatomia dos Animais Domésticos e Silvestres (USP), doutorado e Pós-doutorado em Reprodução Animal (USP). É professora de Reprodução de Animais Silvestres e professora orientadora no Programa de Pós-graduação em Reprodução Animal da FMVZ-USP, membro do International Environmental Enrichment Conference Committee e presidente da Comissão Técnica de Bem-estar Animal do CRMV-SP. Teve sua tese de doutorado indicada ao prêmio de melhor do País pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em 2006.

A carreira começou com o foco na missão da infância, que a levou a se oferecer para estágios no zoo diversas vezes durante a adolescência. “Assim que me matriculei, voltei ao zoológico e, mais uma vez, me disseram para esperar, pois eu precisaria estar, pelo menos, no terceiro ano da graduação.” Quando finalmente conseguiu iniciar sua trajetória na instituição, contou com a credibilidade de alguns profissionais, entre os quais o Dr. Marcelo Alcindo de Barros Vaz Guimarães (in memoriam). Ficou mais perto de ajudar na melhoria da qualidade de vida de Virgulino a partir do que vivenciou em estágios nos Estados Unidos, no Centro de Primatologia e no zoológico de Omaha.

“Quando voltei, apresentei um projeto para o gorila”, conta Cristiane, que começou, então, o que seria um trabalho pioneiro internacionalmente. “Foi uma grande responsabilidade, pois além de se tratar de uma vida, era o exemplar mais valioso do zoo.” O resultado foi uma significativa reformulação do recindo do animal, com enriquecimento ambiental, cujos resultados positivos foram visíveis. Convidada a palestrar em diferentes lugares do mundo, entendeu que sua missão iria além da vida de Virgulino, que morreu em 2005. “Entendi todas essas oportunidades como uma forma de sensibilizar os profissionais para o bem-estar animal, o que envolve os estudos sobre comportamento.”

Instigado pelo desconhecido

Nos anos 1980, o que se sabia sobre a Neurologia Veterinária no Brasil era muito superficial. O mistério nessa área da Clínica Médica Veterinária foi justamente o que fez o médico-veterinário João Pedro de Andrade Neto, que receberá o Prêmio Max Ferreira Migliano (Clínica Médica Veterinária), dedicar sua carreira à descoberta de doenças neurológicas em pequenos animais.

Tornou-se mais um pioneiro na Medicina Veterinária brasileira. Graduado pela USP, Andrade Neto possui também Bacharelado em Biologia e mestrado em Fisiologia (USP). Atualmente, trabalha exclusivamente em Neurologia.

“Muita gente fugia dos assuntos relacionados à neurologia, porque era difícil e não tínhamos muito no que nos embasar. Eu fui instigado por isso e vi que era necessário para a Medicina Veterinária”, afirma o médico-veterinário, que dedicou sua pesquisa de mestrado ao estudo da eletroencefalografia em cães. Isso, após se debruçar por anos, na década de 1980, sobre diversos casos sem diagnóstico, em uma época em que ressonância magnética e tomografia computadorizada ainda não eram recursos disponíveis. “Eu me apaixonei pela área e tinha que contribuir para o seu avanço.”

A solenidade de premiação acontecerá no Dia do Médico-veterinário, 09/09, durante as comemorações à data e aos 50 anos do CRMV-SP. Saiba mais.

Sobre os patronos dos prêmios CRMV-SP 2019

Prêmio Paschoal Mucciolo – Inspeção e Tecnologia de Alimentos

Natural de São Paulo, o médico-veterinário Paschoal Mucciolo (1912-1994) se formou na então Escola de Medicina Veterinária em 1934. Seu primeiro trabalho na profissão foi no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), como Inspetor de matadouro.

Micciolo foi catedrático na cadeira de Inspeção Alimentar, por concurso realizado em 1942, pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP).

Como docente, em 1950, foi para os EEUU, sendo o primeiro médico-veterinário bolsista da Fundação Rockefeller. Em Chicago, estagiou no American Meat Institute. Em 1957, viajou por vários países da Europa, visitando matadouros e usinas de leite para, na volta , construir, em Pirassununga, o matadouro escola e a usina de leite.

Mesmo após aposentadoria na FMVZ-USP, lecionou na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FMVZ-Unesp), campus Botucatu.

É o Patrono da 4ª Cadeira da Academia Paulista de Medicina Veterinária.

Paschoal Mucciolo foi um dos pioneiros do ensino nas áreas e foi professor catedrático da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e da Unesp-Botucatu, onde foi responsável pela criação do Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública.

Prêmio Hannelore Fuchs – Comportamento Animal

A médica-veterinária Hannelore Fuchs, graduada em 1955 (FMVZ-USP), tornou-se uma grande pioneira e referência internacional na área de Comportamento Animal no Brasil.

Fez mestrado (1978) e doutorado (1988), na área de Psicologia Experimental (USP).

Sua tese de doutorado tinha como título “O animal em casa: um estudo no sentido de desvelar o significado psicológico do animal de estimação”.

Também cursou Psicologia na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Hannelore dedicou parte importante de sua carreira às questões relacionadas à terapia assistida por animais, tendo, inclusive, fundado a Associação Brasileira de Zooterapia (Abrazoo) e participou da Comissão Técnica de Integração Homem-Animal do Conselho, criada em 2001.

Prêmio Max Ferreira Migliano - Clínica Médica Veterinária

Max Ferreira Migliano (1920-2005) formou-se em Medicina Veterinária em 1942 (FMVZ-USP), onde foi professor titular de clínica médica de monogástricos e lecionou por 30 anos.

Foi Migliano quem descreveu os primeiros relatos brasileiros de Dirofilariose e Osteopatia hipertrófica pulmonar.

O médico-veterinário foi autor de inúmeras publicações científicas nas áreas de laboratório clínico e clínica médica de pequenos animais.

Fundou, em 1950, o Instituto Piratininga de Medicina Veterinária e, em 1973, a Clínica Veterinária Faria Lima.

 
 
             

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