Quarta-Feira, 18 de setembro de 2019
05-09-2019
Febre do Nilo: OIE notifica caso em equino em São Paulo

CRMV-SP alerta sobre riscos, prevenção, tratamento e sintomas da doença que pode atingir humanos e animais

A Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) notificou na última semana um caso de Febre do Nilo Ocidental (FNO), em um equino na cidade de São Paulo. Diante dos fatos, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de São Paulo (CRMV-SP) alerta sobre os riscos de transmissão, os cuidados preventivos e identificação dos sintomas da doença.

A FNO, que já foi considerada extinta, é uma zoonose, ou seja, acomete humanos e animais. Os eqüinos e os humanos são hospedeiros finais do vírus, sem importância na transmissão, pois a replicação em mamíferos é muito baixa. No Brasil, foram notificados nove casos em equinos no Espírito Santo e três em humanos no Piauí, sendo um óbito.

Após receber a comunicação da ocorrência e seguindo a nota técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a Secretaria de Estado da Agricultura, por meio da Coordenadoria de Defesa Agropecuária, avisou à Secretaria de Estado da Saúde e realizou a investigação epidemiológica, com visita à propriedade e às imediações onde se encontrava o equino, quando não foram observados outros animais com sintomas compatíveis com a doença (Nota Técnica Cedesa n° 001/2019).

Sobre a doença – A Febre do Nilo Ocidental (FNO) é uma doença febril aguda causada por um arbovírus do gênero Flavivírus, transmitido, principalmente, pela picada de mosquitos do gênero Culex (pernilongo), tendo como reservatório natural aves silvestres.

“A doença é uma zoonose cuja transmissão se dá por meio da picada de mosquito vetor, como a dengue ou febre amarela. Não existe transmissão homem/homem ou cavalo/cavalo. Equídeos e humanos são hospedeiros acidentais e terminais do vírus da Febre do Nilo Ocidental. Como a replicação viral é baixa nos mamíferos, o vetor é incapaz de se infectar a partir destas espécies hospedeiras, tornando-as de pouca importância e o elo final no ciclo de transmissão da doença”, explica o médico-veterinário Otávio Diniz, presidente da Comissão Técnica de Equideocultura do CRMV-SP.

Diniz complementa afirmando que a disseminação da FNO pelo mundo ocorre, principalmente, por aves migratórias, que podem reintroduzir o vírus em determinadas áreas, causam surtos esporádicos após passarem por regiões endêmicas. “Pode ocorrer, ainda, pela importação de aves infectadas e introdução acidental de mosquitos infectados, possibilitando a entrada da doença em países considerados livres até então.”

Sintomas da Febre do Nilo Ocidental e riscos – O médico-veterinário Carlos Augusto Donini, presidente da Comissão Técnica de Políticas Públicas do CRMV-SP, esclarece que cerca de 80% dos indivíduos infectados (humanos ou animais) não apresentarão sinais clínicos importantes, além de febre e mal estar. “Contudo, aqueles indivíduos mais fragilizados e debilitados imunologicamente, como crianças, idosos, gestantes, químico-dependentes e imunocomprometidos, poderão apresentar dores musculares, nos olhos e na cabeça; vômitos; disenteria; fraqueza muscular; manchas no corpo; tonturas; paralisias; alterações neurológicas graves; falta de equilíbrio; convulsões; coma; e, até mesmo, chegar a óbito. De 1% a 2% dos indivíduos infectados apresentam evolução clínica grave.”

Donini alerta que ao perceber sintomas semelhantes aos da gripe, associados a manchas no corpo e dores intensas, principalmente em crianças e idosos, a população deve buscar rápida atenção médica, a fim de esclarecer o diagnóstico. O teste mais eficiente é a detecção de anticorpos IgM contra o vírus do Nilo Ocidental em soro.

Medidas de controle – Para prevenção, o presidente da Comissão Técnica de Equideocultura do CRMV-SP, Otávio Diniz, apresenta algumas recomendações para o cuidado com os animais. “Deve-se reduzir a exposição dos equídeos aos vetores, com o uso de repelentes, confinamento em baias com portas e janelas teladas, e mantê-los distantes de localidades onde sabidamente exista infestação por culicoides. Aconselha-se também o isolamento dos animais em horários de maior atividade dos mosquitos (entre as 16h e o amanhecer), dentro da cocheira com as luzes apagadas.”

Da mesma forma, as pessoas devem evitar a exposição a mosquitos, usar mosquiteiros nas camas, e repelentes. “Recomenda-se o controle da proliferação de mosquitos (vetores) pela eliminação dos criadouros (água parada); pela limpeza adequada do lixo, evitando sua destinação em córregos, lagos e açudes; e evitando o acúmulo de materiais inservíveis e recicláveis que possam acumular água e detritos”, alerta Diniz.

Histórico recente – O terceiro caso da Febre do Nilo Ocidental que resultou na primeira morte no País foi confirmado pela Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) neste ano. A paciente era uma mulher idosa que faleceu em 2017, após complicações da doença e outros problemas de saúde associados, mas somente no início de agosto foi confirmado por exames laboratoriais. Ela morava na cidade de Piripiri, a 162 km ao norte de Teresina.

Os outros dois casos já registrados da enfermidade no Brasil aconteceram no Piauí, em 2014 e 2017. Os pacientes, que apresentaram a forma mais leve da doença, eram de Aroeiras do Itaim e Picos, cidades distantes uma da outra, sendo a primeira a 28 km de Teresina e a segunda a 320 km ao sul da capital.

Além dos registros em humanos, em junho de 2018 a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa) divulgou a confirmação da ocorrência de infecção em equídeo pelo vírus. O caso ocorreu em uma propriedade em São Mateus, norte do Estado, a 238 km da capital Vitória, e a investigação foi motivada a partir da notificação de óbito em cavalos na região.

 
 
             

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