Segunda-Feira, 21 de outubro de 2019
14-09-2019
Dia do cavalo: animais em equoterapia podem somar benefícios psicoemocionais

Apesar de sua “riqueza emocional”, a espécie é, muitas vezes, valorizada apenas por sua contribuição motora

No dia do Cavalo (14/09), o animal é, geralmente, lembrado por sua potência física, que movimenta em especial segmentos esportivos. É também o seu físico que o torna um destaque para a reabilitação motora de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, na chamada equoterapia. Por outro lado, as virtudes comportamentais e emocionais da espécie são, muitas vezes, subvalorizadas.

O médico-veterinário Rui Carlos Vicenzi, membro da Comissão Técnica de Equideocultura do CRMV-SP e presidente da Associação Brasileira de Médicos Veterinários de Equídeos (Abraveq), explica que a ênfase ao aspecto motor se deve, principalmente, à diversidade de movimentações que o andar do cavalo oferece a quem monta. “São em diferentes planos, que estimulam, por exemplo, o equilíbrio e o fortalecimento do assistido por equoterapia, conforme os profissionais de saúde humana apontam.”

Potencial terapêutico

Tendo a saúde e o bem-estar preservados, o cavalo é um grande aliado para um outro importante trabalho na equoterapia: a promoção de benefícios psicoemocionais ao ser humano.

Isso porque os equinos possuem uma sensibilidade que pode contribuir para a melhora do quadro de pessoas em tratamentos psicológicos e psiquiátricos, conforme menciona a médica-veterinária Cláudia Sophia Leschonski, que faz parte das Comissões Técnicas de Equideocultura e de Bem-estar Animal do CRMV-SP.

“Pensar no cavalo apenas pelo aspecto da motricidade é uma subvalorização desse animal que é altamente sensível”, enfatiza Cláudia. Ela ressalta que, uma vez saudável, no que diz respeito à qualidade de vida, ambientação, nutrição e rotina, os equinos são excelentes para terapias que focam o emocional do ser humano, pelo seu comportamento, docilidade e calma.

Capacitação e sensibilização de equipes multidisciplinares

No Brasil, a equoterapia foi oficializada em 1989, com o surgimento da Associação Nacional de Equoterapia (ANDE-Brasil), cujos registros apontam para, aproximadamente 300 centros de equoterapia no País.

O médico-veterinário Rui Carlos Vicenzi comenta que os locais devem possuir equipes muldisciplinares que contem com médicos-veterinários, para a garantia da saúde física dos cavalos, evitando, consequentemente, doenças que podem ser transmitidas também aos humanos. “São esses profissionais que trabalharão, ainda, na prevenção e identificação de estresse que a frequente interação com pessoas pode ocasionar”, diz ele, que menciona as férias aos animais como parte da rotina dos equinos.

No que tange à contribuição dos cavalos ao aspecto psicoemocional dos humanos, por meio da equoterapia, uma necessidade é o aprofundamento dos conhecimentos dos profissionais das diferentes áreas que integram equipes, quanto ao potencial dos animais nesse sentido. “O comportamento deve ser estudado para enriquecer a equoterapia e, na minha opinião, todos os profissionais envolvidos precisam de formação específica para um novo olhar sobre os cavalos, que não são uma máquina de força”, diz Cláudia Sophia Leschonski.

Nesse contexto, os médicos-veterinários têm papel fundamental para a sensibilização dessa visão. “Isso também requer que os colegas que atuam com equinos se capacitem continuamente, em especial nas áreas de comportamento e bem-estar”, argumenta Vicenzi.

 
 
             

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