Quarta-Feira, 23 de outubro de 2019
02-10-2019
Outubro Rosa: castração é a melhor forma de prevenção do câncer nos pets

No mês em que o câncer de mama é alvo da campanha de conscientização e incentivo à prevenção da doença em mulheres, abre-se uma boa oportunidade para chamar a atenção com relação à incidência em cadelas e gatas. Assim como em humanos, a rapidez no diagnóstico é fator determinante para possibilitar eficácia no tratamento e proporcionar longevidade ao seu pet.

Para as mulheres, aconselha-se fazer, frequentemente, o autoexame para detectar qualquer tipo de alteração e recorrer ao oncologista o quanto antes. No caso das fêmeas caninas e felinas, o tutor deve sempre estar atento, conhecer seu animalzinho e aproveitar as brincadeiras para acariciá-las e examiná-las. Ao sinal de qualquer nódulo, leve-a imediatamente ao médico-veterinário.

No Brasil, ainda não há registros de dados oficiais de incidência de câncer de mama em cadelas e gatas. Segundo Rodrigo Ubukata, médico-veterinário especializado em Oncologia Veterinária, membro do Grupo de Trabalho em Quimioterapia Veterinária do CRMV-SP e diretor da Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (Abrovet), a ausência de informações se deve a falta de um Registro Nacional de Câncer Animal. “Esperamos que, em breve, entre em atividade um programa criado durante mestrado orientado pela Profa. Dra. Maria Lúcia Zaidan Dagli, titular do departamento de Patologia da FMVZ-USP, que tem o objetivo de reunir todas estas informações.”

O que se pode dizer, por avaliações casuísticas de grandes hospitais-escola veterinários, é que o tumor de mama está entre os cinco mais frequentes, ao contrário do que ocorre nas clínicas especializadas em Oncologia Veterinária, onde este tipo de câncer não consta mais no ranking dos mais comuns. “Uma das possíveis explicações para isso pode ter relação com o nível sociocultural e econômico, uma vez que a população que frequenta serviços especializados pode ter tido mais informações sobre métodos de prevenção e tratamentos precoces”, explica Ubukata.

Prevenção

É fato que a castração ainda é o principal método para diminuir a incidência de câncer de mama em cadelas e gatas. “Os tumores de mama estão intimamente ligados à presença dos hormônios estrogênio e progesterona. Portanto, a melhor forma de prevenir o câncer de mama, sem dúvida, é a castração. Uma cadela castrada antes do primeiro cio tem menos de 1% de chance de ter câncer mamário”, afirma a médica-veterinária Maria Cristina Timponi, presidente da Comissão de Entidades Regionais Veterinárias do Estado de São Paulo, ligada ao CRMV-SP.

Nas raças de grande porte, como labrador e golden retriever, e de porte gigante, como dogue alemão, fila brasileiro e mastiff inglês, por exemplo, Maria Cristina indica a castração após o primeiro cio – por volta dos 10 ou 11 meses –, porque nesta fase eles estarão com o organismo totalmente formado, isso porque os hormônios ajudam no desenvolvimento do corpo e dos órgãos genitais. Já para os de pequeno porte a melhor indicação é a castração antes do primeiro cio, em torno de cinco a seis meses. “O que faz com que aumente a incidência de tumor de mama é a ação dos hormônios nos diversos cios que a cadela vai ter”, enfatiza.

As fêmeas castradas mais tardiamente precisam passar por exames periódicos e devem ser observadas com atenção. “Antigamente, castrava-se muito menos. Durante a minha carreira, vi muitos casos de tumor de mama. Hoje, em relação há 20 anos, a incidência é muito menor, pois as cadelas e gatas são mais precocemente castradas”, explica Maria Cristina.

Visitas ao médico-veterinário

Outro fator de extrema importância para a prevenção é o exame clínico. Segundo Maria Cristina Timponi, o ideal é que as visitas ao médico-veterinário para os animais idosos – sete anos para os de grande porte e nove para os de pequeno porte –, passem a ser semestrais. O tutor precisa ser orientado pelo médico-veterinário e ficar, constantemente, atento à saúde do seu animal.

Rodrigo Ubukata concorda com a importância das visitas frequentes ao médico-veterinário e alerta sobre a responsabilidade do tutor de zelar pela saúde e qualidade de vida do pet. “A partir dos cinco anos de idade são necessários exames complementares mais específicos para detectar alterações que inicialmente são silenciosas, mas podem esconder doenças graves, porque apesar de mais frequente em animais adultos ou idosos, o câncer pode ocorrer em qualquer faixa etária”, pondera.

Fatores de risco

De acordo com o especialista em Oncologia Veterinária, Rodrigo Ubukata, o câncer é uma doença multifatorial, ou seja, não existe apenas um agente causador. A genética e a herança familiar são importantes, mas fatores como poluição, cigarros, radiação solar, obesidade, uso de anticoncepcionais, sedentarismo, inseticidas, entre outros, também contribuem para desencadear a doença.

A médica-veterinária Maria Cristina Timponi lembra ainda que a ação hormonal é que define o câncer de mama, mas existe a pré-disposição racial, por exemplo, poodle, cocker, rotweiller e dobermann têm maior probabilidade de desenvolver a doença.

Maria Cristina alerta, ainda, para uma prática que aumenta em 80% a incidência de câncer mamário em gatas: a aplicação de anticoncepcional injetável. “Esse é o maior causador de tumor de mama nas fêmeas felinas atualmente. Ao invés de castrar, as pessoas ficam aplicando o anticoncepcional a cada quatro meses. Quando esse animal chegar aos sete ou oito anos, com certeza vai desenvolver câncer mamário.”

Tratamento

Independente do tamanho do tumor, que pode ser o de uma ervilha ou até de uma laranja, o tratamento é sempre cirúrgico. “Nos últimos anos, a Oncologia Veterinária brasileira teve um grande desenvolvimento. Além de aperfeiçoamento de técnicas cirúrgicas antes inimagináveis, temos acesso a um maior arsenal de tratamentos quimioterápicos, terapias de alvo molecular, imunoterapias e, finalmente, a radioterapia”, afirma Rodrigo Ubukata.

Maria Cristina Timponi lembra que não há motivo para desespero, é preciso tirar esse estigma de que tumor de mama é sinônimo de morte. “Se for identificado com rapidez e o mais cedo possível for feita a retirada cirúrgica e o tratamento adequado, há cura. Os animais são fortes, eles se recuperam bem e respondem ao tratamento melhor que os humanos.”

Dicas para prevenir o câncer de mama e garantir a longevidade de seu pet

- Palpar e acariciar seu animal frequentemente para identificar nódulos. Encontrando alguma alteração, leve-o imediatamente ao médico-veterinário;

- Fique atento com emagrecimentos acentuados e sem motivo; sangramentos inexplicáveis; dificuldade em mastigar ou deglutir; odores incomuns; feridas que não cicatrizam; dificuldades para respirar, urinar ou evacuar; e nódulos pelo corpo;

- Peça orientação ao seu médico-veterinário para castrar sua fêmea o mais cedo possível, especialmente se não houver interesse na procriação;

- Leve seu pet regularmente ao médico-veterinário para exames clínicos.

 
 
             

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