Quarta-Feira, 20 de novembro de 2019
11-10-2019
Outubro Rosa – Uma em cada oito mulheres terão diagnóstico da doença

Empenhadas em cuidar do bem-estar dos animais, as médicas-veterinárias acabam, muitas vezes, deixando de lado a própria saúde. No Brasil, o câncer de mama é o que mais acomete as mulheres, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer. De acordo com Solange Sanches, oncologista clínica do A.C.Camargo Cancer Center, de uma maneira geral, as colegas da área da saúde que cuidam da vida, seja de pessoas ou de animais, acabam deixando de lado os cuidados com a própria saúde, perdendo a chance do diagnóstico precoce.

“O fato de pertencer à área da saúde não a torna imune a desenvolver câncer de mama ou de qualquer outro tipo. Assim como toda a mulher, ela deve visitar o ginecologista anualmente”, enfatiza Solange. De acordo com a oncologista clínica Laura Testa, chefe do grupo de Onco-mama do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), cada pessoa tem um risco próprio para o desenvolvimento da doença, seja pelo histórico familiar, idade em que menstruou, o quanto usou de medicamento na vida, faixa etária, entre outras razões. “Uma em cada oito mulheres terá o diagnóstico de câncer de mama na vida. O que precisamos saber é o que podemos fazer hoje para diminuir esse risco daqui para frente e proteger nossa saúde.”

Fatores de risco

O câncer de mama é multifatorial. A doença relacionada a alterações genéticas ocorre em 10% dos casos, entretanto, segundo Solange Sanches, os principais fatores de risco do câncer de mama são a condição de ser mulher – afinal o câncer de mama também ocorre em homens – e estar envelhecendo. “Com o passar da idade, temos um aumento gradativo na incidência de câncer de mama, mas, ultimamente, reparamos que há um aumento no número de casos da doença em pacientes mais jovens. E aí existe uma relação com estilo de vida e vários fatores”, ressalta.

Esses vários fatores passam pelo aumento à exposição hormonal, incluindo aí as pacientes que menstruam muito cedo, as que demoram mais para engravidar, e as que deixam de amamentar. Somam-se, ainda, os hábitos da vida moderna, como a rotina estressante, a falta de atividade esportiva e o aumento da ingestão de gordura.

Sabe-se, por outro lado, que a atividade física funciona como fator de redução do risco de desenvolvimento e reincidência da doença.

Diagnóstico precoce é fundamental

“Não podemos impedir um câncer de aparecer. O que temos a oferecer à paciente é o diagnóstico precoce, nossa intenção é diminuir o impacto do tratamento na qualidade de vida da mulher”, afirma Solange Sanches. De acordo com a oncologista, quanto menor o tumor, maior a chance de cura e manutenção da mama.

“Sabemos que a mulher que tem uma profissão, uma casa, um monte de coisa para cuidar, acaba deixando para cuidar de si depois que cuidou de todo mundo. Mas não cuidamos de ninguém se não cuidarmos da gente”, alerta a oncologista clínica do Icesp, Laura Testa.

A recomendação é que, a partir dos 40 anos, a mulher faça o exame de mamografia anualmente. Sendo que a visita ao ginecologista para os exames de rotina deve ser mantida todos os anos, independente da idade. “Fazer os exames uma vez por ano é muito importante, mas todo dia temos que fazer algo pela gente. Todo dia temos que encontrar uma fonte de prazer e de saúde. O exercício físico pode ajudar. Uma caminhada de 30 minutos, cinco vezes por semana, é uma forma de proteção, É preciso encontrar esse tempinho, não é fácil, mas pela saúde, precisamos”, esclarece Laura.

Outro ponto a ser levado em conta é a alimentação. Segundo a oncologista do Icesp, dados apresentados este ano mostram uma redução de cerca de 20% na mortalidade por câncer de mama em pessoas que diminuíram a ingestão de gordura. “Uma dieta mais saudável impactar na mortalidade por câncer de mama é maravilhoso.”

Autoexame

O autoexame é uma forma de conhecer sua mama, seu corpo e, consequentemente, identificar alterações. Mas para o diagnóstico na fase inicial da doença, o ideal é fazer mamografia e ultrassom anualmente, pois as lesões muito pequenas não causam sintomas e nem sinais que podem ser identificados pelo toque.

“Foram feitos vários estudos em dezenas de milhares de mulheres que mostraram que o autoexame não teve impacto, porque só detecta nodulações palpáveis. E a ideia da mamografia é que você encontre lesões em um estágio muito inicial, ainda antes delas se tornarem palpáveis”, afirma Laura, destacando que não significa que as pessoas não devem fazê-lo, mas ele não é a principal forma de detecção inicial da doença.

Pacientes jovens

Os dados nacionais indicam uma porcentagem maior de casos entre as mulheres mais jovens em relação a outros países, mas como explica a oncologista clínica Laura Testa, esses números são um reflexo da falta de cobertura de mamografia adequada em mulheres acima de 50 anos. “Este ano, especificamente, a cobertura foi superbaixa, não conseguimos fazer com que todas essas mulheres tenham acesso e façam exames de rotina e, por conta disso, provavelmente, acabamos tendo uma super-representação das mulheres mais novas em nossas estatísticas”, enfatiza Laura Testa, lembrando que os hábitos da vida moderna também estão relacionados a esse aumento de incidência entre as mais jovens.

As mulheres mais jovens devem fazer mamografia só em casos específicos, quando tiver histórico familiar comprovado, em que seja indicado um rastreamento da mama e um controle diferenciado. “A mama da mulher jovem é muito densa, muito rica em tecido mamário, o que dificulta a identificação de alterações na mamografia, nesses casos, o ultrassom acaba nos auxiliando”, explica Solange Sanches.

Laura Testa destaca ainda que a maior parte das lesões palpáveis em mulheres jovens tende a ser benigna, mas o importante é que toda e qualquer paciente jovem, que sinta algum desconforto ou identifique alguma alteração em sua mama, passe por exames para que o caso seja averiguado e o diagnóstico seja definido.

Dicas para diminuir o risco de incidência do câncer de mama

- Mantenha a alimentação saudável, rica em fibras e com baixo teor de gordura;

- Evite o sobrepeso;

- Faça atividades físicas – 30 minutos de caminhada rigorosa por dia são suficientes;

- Visite o ginecologista e realize os exames de rotina uma vez por ano.

 
 
             

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