Sexta-Feira, 22 de novembro de 2019
16-10-2019
Dia Mundial da Alimentação: pet food movimenta o mercado brasileiro

O mercado pet brasileiro está em franca expansão e teve um faturamento de R$ 20,3 bilhões em 2018. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet) mostram que quase 74% desse montante correspondem aparticipação do setor de alimentação para animais de companhia (pet food).

Com um peso considerável na economia do País, a nutrição animal é cada vez mais pautada pela qualidade e pela segmentação em favor da saúde e longevidade dos animais de companhia. E em tempos em que a informação é disseminada pelas redes sociais, sites e blogs, há que se ter muito cuidado ao escolher deliberadamente a dieta de seu cão ou gato.

A alimentação dos animais de companhia, ao longo dos anos, mudou radicalmente e, hoje, conta com uma segmentação ampla, fruto de pesquisa e desenvolvimento da nutrição animal. “Temos quatro categorias oficialmente reconhecidas: alimento econômico, padrão ou standard, premium e super Premium; e para cada uma dessas categorias, temos subcategorias”, ressalta Yves Miceli de Carvalho, médico-veterinário presidente da Comissão Técnica de Nutrição Animal do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo.

O zootecnista João Paulo Fernandes Santos, que também integra a CTNA, destaca, ainda, que essa segmentação possibilitou aos profissionais adequarem melhor a alimentação às necessidades do animal e promoverem qualidade de vida e longevidade. Santos afirma que, com a atual legislação, há três tipos de alimentos: os completos – para animais saudáveis (filhotes, adultos e seniores); os coadjuvantes – para animais com algum distúrbio fisiológico ou metabólico, auxiliando no tratamento; e os específicos, que podem ou não ter valor nutricional – são os petiscos, usados como agrado ou recompensa.

Alimentação “natural”

Com o mercado de alimentação pet em expansão, o tutor precisa ficar atento e recorrer sempre ao médico-vetetinário antes de oferecer novos produtos ao seu animal de companhia.

“O alimento ideal é aquele que supre suas necessidades, de acordo com a faixa etária que ele apresenta. Se for uma dieta caseira ou uma caseira industrializada e estiver bem elaborada por um profissional, não há problema. O problema é elaborar os alimentos com base na alimentação humana”, afirma o médico-veterinário nutrólogo Yves Micelli de Carvalho.

O que tem preocupado muito são modismos. “Trabalho com nutrição há mais de 25 anos e nosso maior desafio é levar a informação correta e a orientação clara ao tutor”, ressalta Carvalho.

Segundo o zootecnista João Paulo Fernandes Santos, é importante que as pessoas entendam que os animais de nutrientes de forma balanceada e com controle de qualidade. Santos ressalta que, ao adquirir alimentos preparados, o tutor deve observe se a empresa responsável possui registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “A confiabilidade e a segurança alimentar vem desse registro. A manipulação inadequada, sem responsável técnico, pode acarretar na contaminação durante o processo de fabricação. A formulação é uma responsabilidade muito grande com segurança microbiológica e nutricional.”

Perigo da falta de orientação

Se você tem um animal de companhia e acredita que pode oferecer alimentos sem a orientação de um profissional, saiba que essa atitude pode ser muito mais perigosa do que você imagina. Isso porque existem nutrientes que os animais não conseguem assimilar, por exemplo, cães e, principalmente, gatos têm dificuldades para digerir amido.

“Note a quantidade de amido que um tutor oferece ao preparar uma comida caseira com arroz, feijão e batata. Os cães devem ter uma alimentação mais focada em gordura e o gato em proteína. A oferta de uma dieta humana com dois terços de amido a um gato poderia matá-lo. Um cão tem uma absorção de carboidrato média, menor que nós, humanos, e maior que a do gato. Ou seja, temos ‘N’ problemas se não controlarmos a dieta”, afirma o médico-veterinário Yves Carvalho.

Portanto, nada de buscar dietas na internet, “o tutor não é preparado para avaliar se o alimento é bom ou não para seu animal. É importante que a avaliação nutricional seja feita pelo médico-veterinário”, conclui o zootecnista João Paulo Fernandes Santos.

Obesidade: manejo e humanização

A alimentação é um assunto muito sério, inclusive, doenças antes erradicadas, como subnutrição e deficiências vitamínicas reapareceram pelo manejo errado e a falta de cuidado dos tutores. A obesidade também é um problema recorrente entre os pets brasileiros. O presidente da CTNA alerta para o percentual de animais obesos domiciliados, que, no Brasil, já corresponde a cerca de 30% dos pets.

“A obesidade tem um perfil multifatorial, entre os fatores estão: faixas etárias com tendência a engordar, raças predispostas, castração, entre outros. A humanização também é um fator de exposição e está ligada diretamente ao excesso, ou seja, a oferta de quantidade calórica superior ao que o animal realmente precisa”, afirma o médico-veterinário Yves de Carvalho.

As faixas etárias com maiores problemas nutricionais, pontua Carvalho, são as que englobam os filhotes e os seniores. Os primeiros porque ainda estão desenvolvendo a capacidade de digerir nutrientes e os últimos por estarem começando a perder essa capacidade.

Para João Paulo Fernandes Santos, o estilo de vida do tutor também afeta diretamente no ganho de peso do pet. “Somos sedentários e confinamos os animais em espaço cada vez menores. Por isso, é importante adequar a quantidade de alimento e manter uma atividade física para que o animal não ganhe peso.”

Recomendações para o pet crescer e amadurecer saudável:

- Leve seu animal ao médico-veterinário, só ele pode prescrever a dieta ideal para seu pet;

- Não ofereça qualquer tipo de alimento para o animal sem orientação profissional;

- Mantenha o manejo nutricional adequado, ofereça quantidade correta em horários definidos, e, no caso dos cães, não deixe o alimento à disposição o dia todo;

- Mantenha uma rotina de atividade física do seu cão, evite o sedentarismo;

- Cuidado com a obesidade, ela reduz a qualidade e o tempo de vida do animal;

- Lembre-se que o manejo nutricional é essencial para prevenir e auxiliar no tratamento de afecções clínicas. A saúde começa com a alimentação!

 
 
             

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