Sexta-Feira, 22 de novembro de 2019
01-11-2019
Novembro Azul: câncer de próstata em pets é raro, porém, mais agressivo

CRMV-SP alerta para cuidados com cães idosos e de raças de grande porte

No mês mundial de campanha para prevenção ao câncer de próstata, o Novembro Azul, o alerta para o diagnóstico precoce da doença também é válido para os pets. Apesar do índice de surgimento desta enfermidade ser baixo entre os cães (e raro em gatos), quando ocorre, a doença é bastante agressiva. O acompanhamento médico-veterinário preventivo, em especial de animais idosos, é fundamental.

Ainda não existe um registro nacional de câncer animal, por isso não há dados oficiais sobre a incidência – embora já existam, no âmbito acadêmico, iniciativas com o objetivo de reunir estas estatísticas. “Não temos estatísticas nacionais, mas na América do Norte, a ocorrência em cães é de menos de 0,6%”, informa Rodrigo Ubukata, médico-veterinário especialista em Oncologia Veterinária, membro do Grupo de Trabalho em Quimioterapia Veterinária do CRMV-SP e diretor da Associação Brasileira de Oncologia Veterinária (Abrovet).

“O câncer de próstata é mais comum em cães idosos acima de sete anos, então a idade é um fator predisponente”, informa a médica-veterinária Maria Cristina Reiter Timponi, presidente da Comissão de Entidades Veterinárias Regionais do Estado de São Paulo, ligada ao CRMV-SP.

Ubukata esclarece que, por se tratar de um tipo de tumor de baixa frequência nos pets, ainda são necessários mais estudos para atestar possíveis causas e formas de tratamento. “Existem fatores genéticos e moleculares, como os descritos em humanos, estão sendo também avaliados. O aumento da expectativa de vida dos animais é um fator que pode contribuir para o aparecimento deste tumor”, explica.

O especialista informa que, geralmente, os casos de câncer de próstata estão associados aos animais de grande porte. No entanto, os cães das raças beagle, scottish terrier, poodle e pastor de shetland são bastante acometidos pela doença e relatados nas pesquisas.

Sintomas, diagnóstico e prevenção

Para identificar a possibilidade da doença, Maria Cristina Reiter Timponi orienta os tutores a ficarem atentos a alguns sintomas que o animal pode apresentar. Entre eles, estão: dificuldade de urinar, gotejamento de sangue no final da micção, dificuldade de defecar, urina com cor e aspecto alterado, infecções urinárias recorrentes, tenesmo (vontade constante de evacuar, geralmente acompanhada de cólicas) e perda de peso.

“O diagnóstico é feito através do toque retal, como no homem, meio pelo qual se pode notar aumento de volume, alteração de formato e consistência da próstata. Exames de raio-X e ultrassom abdominal também são indicados”, explica a médica-veterinária – que ressalta também a relevância das observações apresentadas pelo tutor do animal, como complemento aos exames clínicos e de urina.

“Infelizmente nenhuma medida preventiva para tumores de próstata existe. Nada ainda está comprovado. O que recomendamos é o tutor ficar atento com qualquer mudança de comportamento que seu cão apresentar e procurar um médico-veterinário para realizar avaliação”, orienta Rodrigo Ubukata.

Tratamento

O tratamento pode envolver procedimentos cirúrgicos (prostatectomia), radioterapia, laserterapia e manejo clínico. “A quimioterapia ainda não está bem descrita (com relação a sua eficiência, resposta e tempo de sobrevida) para o tratamento sistêmico, mas pode ser avaliada a utilização, baseando-se em oncologia comparada com humanos”, afirma o especialista em Oncologia Veterinária, Rodrigo Ubukata.

Nos casos de abscesso (acúmulo de pus decorrente de uma inflamação) na próstata, o tratamento é feito com antibiótico, porém a presidente da Comissão de Entidades Veterinária Regionais, Maria Cristina Reiter Timponi, salienta que nem sempre esse método é eficaz, devido à grande dificuldade de atuação das substâncias neste órgão.

 
 
             

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