Sexta-Feira, 24 de janeiro de 2020
11-11-2019
Novembro Azul: é preciso informação para diagnóstico precoce e tratamento adequado do câncer de próstata

Aproximadamente 70 mil casos da doença são registrados por ano; embora seja o segundo câncer mais frequente entre os homens, a letalidade é baixa

No mês de conscientização para o diagnóstico precoce do câncer de próstata, não só a saúde urológica dos pets está em pauta, mas a dos médicos-veterinários e zootecnistas também. Especialistas ressaltam que é preciso maior diálogo dos homens com seus médicos para a sensibilização que leve à descoberta da doença ainda no início, bem como para a escolha pela conduta mais adequada.

De acordo com o médico coordenador da área de câncer de próstata da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Rafael Coelho, os exames check-up para rastreamento de possíveis focos da doença devem ser feitos a partir dos 50 anos.

“Essa rotina precisará ser antecipada para os 40 anos no caso de pacientes com histórico de câncer de próstata na família ou de homens negros”, afirma Coelho. Ele explica que o fator hereditário da doença e a afrodescendência elevam, comprovadamente, as chances de desenvolvimento dos tumores no órgão.

Médico-assistente da Urologia do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), Fábio Galucci faz as mesmas observações de Coelho e completa mencionando que a doença é rara entre os jovens. “A incidência aumenta por volta dos 60 anos de idade, o que tem relação com o acumulo de mutações das células ao longo do tempo.”

Ambos os médicos argumentam que não há fatores de risco externos, como no caso de outros tipos de câncer. No entanto, a obesidade e o abuso de dietas gordurosas e pobres em vegetais podem contribuir negativamente.

Rastreamento X Diagnóstico precoce

Na Medicina Humana, fala-se em diagnóstico precoce quando o paciente apresenta algum sintoma da doença, vai em busca de ajuda médica e acaba confirmando a suspeita do câncer. Já o rastreamento é o que conhecemos como check-up ou exames de rotina, ou seja, feitos quando não há sintomas.

Talvez você já tenha lido ou ouvido a informação de que não há indicação para esse rastreamento. A sanitarista do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Renata Maciel, que integra a equipe de Detecção Precoce e Apoio à Organização de Rede da instituição, diz que existe uma orientação pelo não rastreamento.

“Isso porque a descoberta de tumores ainda muito iniciais e de desenvolvimento lento pode expor o paciente a um tratamento mais agressivo que a própria doença, debilitando a saúde do homem”, afirma ela, que ressalta a importância da humanização dos procedimentos. Os médicos Rafael Coelho, da SBU, e Fábio Galucci, do Icesp, argumentam que, embora haja essa indicação, o consenso médico, em caráter internacional, é aconselhar que seja feito o rastreamento, porém, preconizando a sensibilização da classe urologista e dos pacientes quanto a conduta em casos de estágio muito inicial.

“Além dos tratamentos, temos o que chamamos de ‘vigilância ativa’, que é a escolha por fazer um acompanhamento cuidadoso em vez de começar um tratamento de imediato nem sempre vantajoso para a saúde do paciente”, enfatiza Galucci. Nesse contexto, o médico frisa a conduta individualizada como prioridade dos profissionais para com os pacientes.

Tratamentos

O combate à doença vai depender do grau em que foi descoberto o câncer. A graduação de risco/agressividade é delimitada por uma escala de seis (baixo risco) a dez (alto risco).

Na maioria das vezes a detecção da doença é feita em fases iniciais. “Mas, ainda temos uma média de 35% de diagnóstico em estágios mais graves”, comenta Renata Maciel, do Inca.

Para tumores localizados, os tratamentos podem ser cirúrgicos e com radioterapia. Já em casos de metástases, tem sido usadas a quimioterapia e a terapia de bloqueio hormonal, uma vez que os tumores são hormônio-dependentes.

“Há avanços na área, como radioterapia como foco mais preciso e, também, cirurgias robóticas minimamente invasivas, o que contribui para a redução de efeitos colaterais”, comenta Rafael Coelho.

 
 
             

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