Sexta-Feira, 24 de janeiro de 2020
21-11-2019
Câncer de próstata em cães: associação de quimioterápico com anti-inflamatórios está entre as inovações no tratamento

Palpação retal em cães, especialmente a partir dos cinco anos, é indicação na rotina de atendimento clínico

O câncer de próstata em cães apresenta desafios muito particulares para o tratamento dos pacientes quando comparado com outras neoplasias na espécie. Para o combate aos tumores no órgão, a associação de quimioterápicos com fármacos anti-inflamatórios está entre as práticas inovadoras que têm apresentado bons resultados na Oncologia Veterinária.

“O uso do quimioterápico doxorrubicina, associado aos anti-inflamatórios não esteroidais, inibem a enzima ciclooxigenase 2 (COX-2)”, argumenta o médico-veterinário oncologista Carlos Eduardo Fonseca Alves, membro da Abrovet e do Prostate Oncology Pathology Working Group, um grupo de trabalho sobre a patologia do câncer de próstata ligado à Veterinary Cancer Society (VCS).

O especialista explica que esse tipo de tratamento ajuda porque os tumores prostáticos apresentam alta expressão desta enzima. Alves ressalta que a literatura atual aponta que essa expressão de COX-2 nos tumores não está relacionada à inflamação, e sim à proliferação do tumor.

De acordo com Alves, também merece destaque a terapia gênica com toceranib para bloquear proteínas tirosina quinases receptoras, que contribuem consideravelmente para o crescimento dos tumores.

“Outros avanços estão por vir no campo da terapia gênica. Já está em experimentação in vitro, por exemplo, o uso da laparinib para inibir receptores HER2 na próstata do cão, assim como na do homem”, conta o oncologista veterinário.

Dificuldade no diagnóstico

No que diz respeito ao diagnóstico da doença, no Brasil faltam recursos e inovações, enquanto que em países desenvolvidos o cenário é mais positivo. Diferente dos homens, ainda não há um exame de sangue que sinalize que algo pode estar errado com a próstata do animal, portanto os exames de diagnóstico por imagem são essenciais.

“Temos, entretanto, no País, pouquíssimas unidades de equipamentos de diagnóstico por imagem, como os de tomografia e ressonância magnética”, ressalta Renee, que atribui a constatação aos altíssimos custos dos aparelhos e às limitações para o financiamento que os estabelecimentos médico-veterinários enfrentam.

Um agravante é o fato de a patologia ser assintomática na maioria das fases da doença. “O animal só apresentará sintoma discreto em estágio avançado”, frisa a médica-veterinária oncologista Renee Laufer Amorim, também membro da Abrovet e do Prostate Oncology Pathology Working Group. Um dos sintomas citados pela profissional é o animal mancar de uma pata traseira, o que, não raro, é confundido com problemas ortopédicos. Na verdade, isso ocorre quando já há metástase atingindo essa região óssea.

Palpação retal deve ser rotina

Na opinião de Renee, as discussões sobre o câncer de próstata em cães precisam ser frequentes entre os clínicos. “Os profissionais também precisa manter, nas consultas de rotina, a palpação retal.”

A médica-veterinária destaca que o exame é ainda mais importante a partir dos cinco anos de idade do animal, uma vez que a doença acomete cães idosos. Com a rotina, é possível detectar sinais de anormalidades prostáticas um pouco antes do que tem se observado na Medicina Veterinária.

Câncer de próstata: homem X cão

O médico-veterinário oncologista Carlos Eduardo Fonseca Alves menciona que pesquisas na área de Oncologia Comparada mostram que entre os humanos o câncer de próstata é mais frequente e os tumores são hormônio-dependentes, mas com bom prognóstico. Já entre os cães, é mais raro, representando menos de 1% dos tumores que acometem a espécie. Porém, os tumores na próstata canina são hormônio-independentes e mais agressivos.

“O câncer prostático em cães tem alta incidência de metástase, que acaba acometendo a parte óssea da região, a bexiga e também outros órgãos”, completa Renee.

Novo recurso cirúrgico

No Brasil, o tratamento cirúrgico é o convencional. No entanto, como a doença é descoberta em estágio avançado, nem sempre é a melhor opção. “É uma cirurgia muito invasiva, que requer intervenção no osso pélvico e no percurso da uretra. Muitos morrem em decorrência da cirurgia”, comenta Renee.

A oncologista argumenta que, no exterior, além de mais acesso aos equipamentos para diagnóstico, há a vantagem de um novo recurso cirúrgico por vídeo, para a destruição do parênquima prosaico (a mesma cirurgia dos humanos). O procedimento, chamado embolização da próstata, é utilizado pelo professor da UC Davis, William Culp, para tumores não metastáticos.

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