Sexta-Feira, 6 de dezembro de 2019
22-11-2019
Bancos de sangue veterinários lutam para manter estoques e atrair doadores

Um pet doador pode salvar até quatro vidas

O Dia Nacional do Doador de Sangue – 25 de novembro – é uma boa oportunidade de chamar atenção para a importância dos bancos de sangue veterinários que, assim como os humanos, sofrem com frequentes baixas de estoque. Por isso, a conscientização de tutores para a prática da doação é decisiva. Afinal, cada pet doador de sangue pode salvar até quatro vidas.

De acordo com o médico-veterinário Thomas Faria Marzano, , presidente da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais (CTCPA), do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), estima-se que, em São Paulo, sejam usadas cerca de 20 mil bolsas de sangue por mês nos hospitais veterinários.

“Atropelamentos, intoxicações e cirurgias de grande complexidade podem levar à necessidade de uma bolsa de sangue para salvar a vida do animal e garantir uma recuperação mais eficaz, mas enfrentamos diariamente a falta de estoque”, afirma Marzano.

A Profa. Dra. Regina Kiomi Takahira, docente do Departamento de Clínica Veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, campus de Botucatu, explica que o banco de sangue veterinário da instituição depende de doadores voluntários, cujos tutores atendem aos chamados e às campanhas de doação.

“Temos alguns doadores frequentes cadastrados que são acionados ou se apresentam voluntariamente. A tentativa é manter um estoque mínimo de bolsas para que sempre haja sangue prontamente disponível para situações emergenciais, mas nem sempre isso é possível e, em determinadas circunstâncias, os próprios tutores indicam ou trazem animais para doar”, afirma a docente.

Tanto os bancos de sangue universitários quanto os particulares recebem o cadastro de doadores durante todo o ano. Os hospitais públicos costumam realizar procedimentos de coleta e transfusão de sangue. “O cadastro de um pet e os procedimentos de coleta são gratuitos. Nem todo animal pode se tornar um doador e essa avaliação será feita de forma criteriosa, mas é fundamental ampliarmos a conscientização para que cada vez mais animais sejam cadastrados”, ressalta Marzano.

Estrutura mínima

A Profa. Dra. Regina Kiomi Takahira ressalta que os bancos de sangue veterinários só podem existir sob a responsabilidade de um médico-veterinário qualificado para as atividades.

A estrutura física mínima inclui ambiente de espera, salas de coleta, processamento e armazenamento, e deve estar dentro de instalações hospitalares ou ambulatoriais que atendam às necessidades sanitárias – piso lavável e impermeável e paredes higienizáveis.

Também são necessários equipamentos como centrífuga refrigerada para bolsas de sangue, extratores de plasma, freezer e geladeira com temperatura controlada e de uso exclusivo do banco, agitador de bolsas de plaquetas, materiais de coleta descartáveis, entre outros. O local deve ter também condições de executar ou encaminhar exames laboratoriais para atestar o estado de saúde do doador.

Requisitos e exames

Cada pet doador de sangue pode salvar até quatro vidas, mas assim como acontece com o ser humano, é preciso fazer exame clínico completo, incluindo exames laboratoriais e de diagnóstico de doenças infecciosas e reunir alguns pré-requisitos para que esteja apto a realizar o procedimento.

“Levar um cão ou gato para doar sangue também possibilita que o seu estado de saúde seja monitorado de forma mais constante”, afirma Profa. Dra. Regina Kiomi Takahira.

Além de reforçar a ideia de salvar vidas, “ter um pet doador também é garantia de um olhar cuidadoso e aproximado da saúde do seu animal”, enfatiza Thomas Marzano.

Para ser doador, o pet deve ter entre um e oito anos de idade, temperamento dócil, estar vacinado, vermifugado, não estar gestante ou no cio e não ter recebido transfusão prévia. Cães devem pesar, no mínimo, 25 quilos, e gatos, quatro. O intervalo recomendado entre as doações é de três meses.

Segundo Regina, a regulamentação com os requisitos mínimos está em fase de elaboração, portanto, não há um consenso sobre o painel de exames a serem realizados. “Idealmente, para ambas as espécies, devem ser realizados exames laboratoriais como hemograma, perfil bioquímico renal e hepático e exames sorológicos ou de biologia molecular (PCR) para hemoparasitoses.”

Como o risco de incompatibilidade ou reação do receptor existe, especialmente em gatos, o ideal é que sejam realizados testes de tipagem sanguínea e compatibilidade cruzada, exceto em casos de extrema urgência.

“Os felinos apresentam anticorpos contra os tipos sanguíneos aos quais não pertencem e um pequeno volume de sangue pode causar reações graves e até o óbito do receptor”, afirma Regina, que explica, ainda, que, no caso dos cães, o risco de reações transfusionais é menor.

O presidente da CTCPA destaca também os seguintes exames para avaliar a saúde do pet doador.

No caso dos cães:

- Leishmaniose

- Dirofilariose (infecção parasitária)

- Ehrlichia (infecção bacteriana)

- Doença de Lyme (transmitida por carrapatos)

- Brucelose (também conhecida como Febre de Malta ou Febre de Gibraltar, transmitida por bactérias)

No caso dos gatos:

- Sorologia para FIV (imunodeficiência viral felina)

- Sorologia para FELV (Leucemia viral felina)

- PCR Micoplasmose (doença que pode levar a anemia intensa)

Cuidados

A avaliação prévia evita que o pet doe sangue sem estar em condições adequadas de saúde. Algumas doenças podem não manifestar sinais clínicos evidentes e são diagnosticadas apenas por meio da realização de exames laboratoriais. “Alguns exames, como os de diagnóstico sorológico ou molecular, podem ser processados posteriormente à doação, mas os exames hematológicos e bioquímicos costumam ser processados antes da coleta da bolsa. A triagem adequada dos doadores é fundamental”, alerta a Profa. Dra. Regina Kiomi Takahira.

“O ideal é que o tutor procure um banco de sangue de confiança para o cadastro, exames e coleta. Essa é a melhor forma de garantir um procedimento seguro”, conclui Thomas Marzano.

 
 
             

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