Sexta-Feira, 24 de janeiro de 2020
22-11-2019
Uso responsável de antibióticos deve ser tema presente na Medicina Veterinária

Aproximadamente 700 mil pessoas morrem a cada ano devido a doenças resistentes a medicamentos, diz levantamento da ONU

Texto: Assessoria de Comunicação do CRMV-SP

Nos últimos dias, diversos países realizaram ações com foco na Semana Mundial de Conscientização sobre Antibióticas, promovida anualmente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é alertar quanto ao risco da resistência aos antimicrobianos (RAM), que mata pelo menos 700 mil pessoas por ano, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). O uso responsável desses fármacos é uma necessidade iminente e, nas diferentes frentes da Medicina Veterinária, o assunto deve estar presente de forma constante.

O relatório da ONU, divulgado este ano, traz uma amostra da magnitude do desafio a ser enfrentado. Segundo o levantamento, “as doenças resistentes a medicamentos podem causar 10 milhões de mortes a cada ano até 2050, além de danos à economia tão catastróficos quanto à crise financeira global de 2008 a 2009”. Ainda segundo a pesquisa, até 2030, a resistência antimicrobiana pode levar à extrema pobreza até 24 milhões de pessoas.

Conduta criteriosa é prioridade

Assim como médicos e outros profissionais de saúde humana, os médicos-veterinários devem se manter vigilantes em relação às práticas com antibióticos. Isso, desde a avaliação sobre a real necessidade do medicamento, a escolha da substância, a forma de prescrição, a orientação àqueles que medicarão os animais – pets, silvestres ou de produção –, até a conduta para destinação dos resíduos das substâncias.

Para a conduta criteriosa, o comprometimento com o preparo profissional é o primeiro passo. “É um dever estudar e se atualizar sobre os fármacos. É a capacitação que dará respaldo ao uso responsável dos medicamentos”, frisa o médico-veterinário Carlos Augusto Donini, conselheiro do CRMV-SP e presidente da Comissão Técnica de Políticas Públicas do Regional.

A orientação se estende aos profissionais que atuam na área clínica e no setor de produção animal. “Vale o alerta, também, aos responsáveis técnicos de farmácias veterinárias, que precisam tratar com muita seriedade a orientação dos funcionários sobre a conduta correta na venda dos antibióticos”, diz Donini.

Recomendações devem ser atendidas

No âmbito da Medicina Veterinária, há diretrizes específicas recomendadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que apontam a utilização de antimicrobianos somente:

- Após exame clínico do(s) animal(is) realizado por um médico-veterinário;

- Quando necessário, levando em consideração a lista de agentes antimicrobianos de importância veterinária da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE);

- Em adição e nunca em substituição às boas práticas pecuárias, higiene, biossegurança e programas de vacinação;

- Fazendo escolha apropriada de agente antimicrobiano baseada em experiência clínica e diagnóstico laboratorial, quando possível. Sempre com informações detalhadas sobre protocolos de tratamento e períodos de carência.

Quanto à escolha do antimicrobiano apropriado, o Mapa recomenda ainda que sejam levados em consideração:

- Registros de uso prévio de antimicrobianos e histórico epidemiológico da propriedade;

- Experiência clínica e diagnóstica. Diagnóstico laboratorial, quando disponível (cultura e teste de sensibilidade);

- Farmacodinâmica (atividade contra patógenos envolvidos);

- Farmacocinética (distribuição tecidual, eficácia no local da infecção);

- A lista da OIE de antimicrobianos de importância veterinária ao escolher seu tratamento.

Brasil tem iniciativas interministeriais

No que tange as ações nacionais, apesar dos desafios, a médica-veterinária Adriana Maria Lopes Vieira, presidente da Comissão Técnica de Saúde Pública Veterinária do CRMV-SP, considera que o Brasil está em um bom caminho, em especial pela elaborado o Plano Nacional de Prevenção e Controle de Resistência aos Antimicrobianos (PAN-BR), que tem vigência de cinco anos (2018-2022), com avaliações anuais.

“O plano contém cinco objetivos estratégicos, dentre eles reforçar a base de conhecimento e evidência por meio da vigilância e investigação”, aponta Adriana. A ação envolve, além do Ministério da Saúde, diversos órgãos federais, como Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Ministério das Cidades (MCidades), Ministério da Educação e Cultura (MEC), Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Fundação Nacional de Saúde (Funasa), além do apoio do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e da Agência Nacional de Águas (ANA).

Há ainda o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR AGRO), que também será executado de 2018 a 2022, com envolvimento do setor privado regulado, os órgãos estatutários de profissionais agropecuários e as instituições de ensino, pesquisa, inovação, desenvolvimento e fomento setorial. O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) é um dos participantes.

Para garantir a sustentabilidade do Plano e a execução das atividades previstas, o Mapa instituiu, ainda, o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), com a publicação da Instrução Normativa Mapa nº 41/2017.

País proíbe uso de substâncias

O Mapa também vem restringindo a autorização de diversos antimicrobianos com finalidade de aditivo melhorador de desempenho. Desde 1998, foram proibidas no Brasil as classes e/ou substâncias antimicrobianas avoparcina, anfenicóis, tetraciclinas, penicilinas, cefalosporinas, quinolonas, sulfonamidas, eritromicina, espiramicina e, mais recentemente, a colistina.

Segundo o médico-veterinário Carlos Augusto Donini, conselheiro do CRMV-SP e presidente da Comissão Técnica de Políticas Públicas do Regional, as restrições são importantes, mas a indicação da FAO é que abranja outras substâncias. “Como o mercado agro brasileiro é forte e há exigências internacionais para a exportação de produtos de origem animal, a perspectiva é que a indústria passe por adequações nessa direção.”

 
 
             

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