Quarta-Feira, 21 de outubro de 2020
07-04-2020
Médicos-veterinários são fundamentais na garantia da Saúde Única

Convocados pelo MS, profissionais devem integrar ações contra a Covid-19

Texto: Coordenadoria de Comunicação e Eventos do CRMV-SP

Este ano, o Dia Mundial da Saúde acontece no momento em que o mundo vive a pandemia do coronavírus e os profissionais da saúde seguem na linha de frente do combate à Covid-19. Também reconhecidos como parte desse grupo de heróis pela Resolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) nº 287/98, os médicos-veterinários já têm papel fundamental na construção da Atenção Básica no Sistema Único de Saúde (SUS) - incluídos nas equipes do Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) desde 2011. E agora, são convocados pelo Ministério da Saúde (MS) a se prepararem para o enfrentamento da doença.

Nesse cenário, colocarmos em prática o conceito de Saúde Única se faz ainda mais do que necessário. De acordo com Adriana Maria Lopes Vieira, presidente da Comissão Técnica de Saúde Pública (CTSP) do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), o conceito pode ser entendido como uma abordagem integrada que reconhece a interconectividade entre a saúde humana, animal e do ambiente.

“E a contribuição do médico-veterinário pode ocorrer de inúmeras formas, uma vez que, a formação na Medicina Veterinária permite a atuação desse profissional em diversas áreas como vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, vigilância ambiental, prevenção e controle de zoonoses, epidemiologia, educação em saúde, biossegurança e biosseguridade, saúde do trabalhador, pesquisa (desenvolvimento de vacinas, novos tratamentos e métodos diagnósticos), dentre outras. Salientando que, para o enfrentamento dessa pandemia, é indispensável o desenvolvimento de ações multidisciplinares e interinstitucionais”, enfatiza Adriana.

A presidente da Comissão Técnica de Educação do CRMV-SP, Helenice Souza Spinosa, explica que o médico-veterinário tem amplos conceitos de epidemiologia, patologia, biossegurança/biosseguridade, zoonoses, vigilância sanitária “e tantos outros saberes que estão relacionados não só com os animais, mas que envolvem também o ser humano, incluindo a garantia da qualidade dos produtos de origem animal”. Entre esses profissionais, afirma, a Saúde Única é um conceito que já bastante consolidado.

Para Carlos Augusto Donini, conselheiro e presidente da Comissão Técnica de Políticas Públicas (CTPP) do CRMV-SP, “a grande tragédia que se experimenta pela pandemia confirma os princípios e estratégias da Saúde Única, onde todos os profissionais do setor de saúde estão relacionados e comprometidos transversalmente com seus objetivos comuns: o bem-estar do ser humano e seu universo relacional entre as espécies e seus ecossistemas”.

Donini complementa afirmando que as competências técnicas de cada profissional são “complementares e se fundem na resolução efetiva dos conflitos e desafios que se apresentam”.

Alerta da OIE

Como parte das recomendações aos médicos-veterinários, a presidente da CTSP do CRMV-SP, Adriana Maria Lopes Vieira, destaca que a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) pede aos profissionais que exercem atividades junto aos serviços de saúde pública que mantenham estreita ligação com os que atuam nas demais áreas da Medicina Veterinária, inclusive com os responsáveis pela fauna silvestre, utilizando a abordagem One Health (Saúde Única) para compartilhar informações, garantir mensagens de comunicação e gerenciamento de riscos coerentes e apropriadas.

“Embora, até o momento, não haja evidências significativas de que animais de estimação possam adoecer ou transmitir o novo coronavírus, por tratar-se de doença que ainda carece de muitos estudos, é importante a observação e registro de quaisquer informações epidemiológicas relevantes”, ressalta Adriana.

A presidente da comissão afirma que o desconhecimento não pode justificar medidas inadequadas contra animais domésticos ou selvagens que comprometam seu bem-estar e saúde ou tenham um impacto negativo na biodiversidade.

Oportuno também lembrar, segundo Adriana, em que pese a incerteza sobre a origem do COVID-19, que, de acordo com as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), como precaução geral, em locais em que haja comércio de animais vivos ou de produtos de origem animal, devem ser aplicadas medidas gerais de higiene, tais como, evitar o contato com animais doentes ou produtos de origem animal sem procedência ou deteriorados, e a presença de animais sinantrópicos (pombos, roedores, insetos).

“Além de promover o gerenciamento adequado de resíduos e, de acordo com as boas práticas gerais de segurança alimentar, é importante que carnes cruas, leite ou órgãos de animais sejam manuseados com cuidado, para evitar a possível contaminação cruzada com alimentos não cozidos por zoonoses, tema de profundo conhecimento e atuação da Medicina Veterinária”, explica Adriana.

Reconhecimento

Em meio à pandemia, o sistema de saúde é posto à prova e a participação de todos os profissionais é urgente. No caso dos médicos-veterinários, essa pode ser mais uma oportunidade da categoria ser efetivamente reconhecida pela população como agente de saúde.

De acordo com Carlos Augusto Donini, embora o conhecimento sobre as atividades do médico-veterinário esteja concentrado sobre a atenção médica e cirúrgica de espécies animais, a formação em Medicina Veterinária contempla disciplinas comuns da Medicina Humana, além dos conhecimentos sobre o meio ambiente e a produção animal, associado ao gerenciamento de negócios pertinentes, além da pesquisa e ensino.

“Demonstra a extensa diversidade disponível para um completo profissional de saúde, apto e habilitado a colaborar prontamente junto aos sistemas de saúde, como o SUS, o que já vem acontecendo mais especificamente na Atenção Básica direta junto aos domicílios cadastrados do Programa Saúde da Família e na Vigilância em Saúde”, afirma o presidente da Comissão Técnica de Políticas Públicas do CRMV-SP.

Adriana lamenta o desconhecimento por parte da população quanto à atuação do profissional médico-veterinário e acredita que seja hora de informar e esclarecer dúvidas. “O combate à desinformação é peça fundamental no enfrentamento à pandemia. Neste sentido, é imprescindível uma postura proativa do médico-veterinário como um agente de Saúde Única”, enfatiza a presidente da Comissão de Saúde Pública do CRMV-SP, concluindo que cabe a ele abordar, junto aos gestores públicos, sua importância como profissional para a proteção e a promoção da saúde dos seres humanos, animais e meio ambiente.

Segundo Helenice Souza Spinosa, não há dúvida que a hora é propícia para o reconhecimento do trabalho do médico-veterinário, não só pela população como também por outros profissionais e gestores da saúde. “Todos são importantes quando se trata da Saúde Única. As crises e emergências servem de aprendizado para todos. Certamente, crises são boas para introduzir mudanças, reconhecer que juntos somos melhores”.

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A partir do momento em que a OMS caracterizou o surto de Covid-19 como pandemia, o mundo entrou em alerta e foram colocadas em prática diversas ações, entre elas a convocação de médicos-veterinários e demais profissionais de saúde para atuarem no combate à doença.

“Esse evento, cuja magnitude e complexidade, o classificam como mais alto nível de alerta da OMS, conforme previsto no Regulamento Sanitário Internacional, demanda esforço conjunto de todo o Sistema Único de Saúde para identificação da etiologia dessas ocorrências e adoção de medidas proporcionais e restritas aos riscos e, a investigação local, demanda uma resposta coordenada das ações de saúde de competência da vigilância e atenção à saúde, entre as três esferas de gestão do SUS”, explica Adriana Maria Lopes Vieira.

No Brasil, o MS criou, recentemente, por meio da portaria nº 639, o cadastro geral de profissionais da saúde e capacitação obrigatória. Para a presidente da Comissão Técnica de Educação, trata-se de uma “medida instituída para conhecer o contingente de pessoas aptas para atuar em uma emergência para o enfrentamento à pandemia, harmonizando as condutas adotadas. Podemos entender que o Ministério reconhece a importância desses profissionais e espera que eles estejam preparados, capacitados, para atuarem, caso seja necessário. Entendo que valoriza o papel do médico-veterinário na sociedade”, afirma Helenice.

Carlos Augusto Donini ressalta, ainda, que as universidades públicas e privadas, que concentram milhares de graduandos, mestres e doutores, oferecem uma legião de futuros profissionais de saúde que poderão, por princípios, engrossar as fileiras de colaboradores ao enfrentamento da Covid-19. “Estamos diante da grande e digna oportunidade de demonstrarmos à sociedade ao que viemos e onde podemos colaborar, agir e fazer a diferença, por nós e por todos”, conclui o presidente da CTPP.

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