Terça-Feira, 11 de agosto de 2020
30-04-2020
CUIDANDO DE QUEM CUIDA - Recomendações garantem segurança durante pandemia do coronavírus

Documento orienta profissionais no atendimento em domicílio, clínicas e hospitais veterinários

Texto: Coordenadoria de Comunicação e Eventos do CRMV-SP

Após a recomendação do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) para que fosse mantido apenas o atendimento emergencial em clínicas e hospitais veterinários durante a pandemia do Covid-19, os profissionais se depararam com uma série de orientações de conduta adotadas nos diversos países onde a doença já estava presente. A partir desse cenário, a Academia Brasileira de Medicina Veterinária Intensiva (BVECCS) e o Grupo de Estudos de Medicina Veterinária da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) viram a necessidade de elaborarem um documento próprio para auxiliar os profissionais brasileiros.

“São recomendações baseadas em evidências, formuladas por uma academia de especialidade no assunto, a BVECCS, endossado por uma associação de Medicina Humana, a AMIB, ou seja, todo o conteúdo é em prol da saúde do médico-veterinário e das equipes de apoio. Além de ter poder técnico, ser de âmbito nacional e que pode salvar vidas, é um documento de saúde pública feito por médicos e médicos-veterinários”, enfatiza Eduardo Pacheco, membro da Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

De acordo com Rodrigo Cardoso Rabelo, gerente de Pacientes Graves da Intensivet e representante da BVECCS no Comitê da AMIB para o enfrentamento ao Covid-19, atuar com guias e recomendações sempre esteve no DNA do trabalho da Academia. “Quando surgiu a questão da pandemia, começamos a buscar as evidências locais e aspectos culturais para elaborarmos recomendações nacionais. Conectamos-nos com os colegas dos EUA e de Portugal para criar um documento que fosse o mais baseado em evidências possível”, afirmou.

Rabelo conta que a elaboração do material contou com o apoio de profissionais como o professor Hélio Autran de Morais, além do comitê técnico da AMIB, que mantém um departamento de Medicina Veterinária Intensiva desde 2008.

Marcio Thomazo Mota, membro da Comissão das Entidades Regionais Veterinárias do Estado de São Paulo do CRMV-SP, lembra que processos específicos para um momento de pandemia enriquecem a capacidade dos médicos-veterinários em biossegurança. “É de suma importância seguirmos todas as regras preconizadas de contenção e segurança operacional, neste momento de grande disseminação do vírus, para podermos em breve retomar a normalidade”, ressalta.

Alerta para evitar o Nível 4

Uma das prioridades do documento é a análise de risco para definir a operação de atendimento dos serviços médico-veterinários, atualmente o Brasil está em Nível 3, quando há o coronavírus na região de atuação. Nesse caso, o objetivo é diminuir o risco de entrada do vírus no estabelecimento de saúde, a exposição dos colaboradores e agentes sanitários e a quantidade de pessoas dentro do estabelecimento, além de restringir a entrada de tutores e criar o plano de comunicações da clínica. Entre as ações propostas estão restringir a entrada de tutores positivos para Covid-19; considerar a implementação de grupos de trabalho com metade ou um terço dos funcionários, sendo que o ideal é que todas as áreas participem, incluindo médicos-veterinários e pessoal de suporte; fechar o banho tosa e áreas não essenciais; ter rigor máximo na desinfecção e revisão do processo de uso dos equipamentos de proteção individual (EPI’s), entre outras.

Mas o sinal de alerta está ligado, todas essas medidas devem ser implantadas em consultórios, clínicas e hospitais para que não cheguem ao temido nível 4, quando há exposição ao Covid-19 diretamente na instituição veterinária, o que pode levar ao fechamento compulsório do estabelecimento.

“Creio que o principal objetivo dessas medidas é não avancemos ao Nível 4, para que os estabelecimentos continuem prestando assistência, mantendo a saúde animal e humana. O gestor ou o responsável técnico do estabelecimento devem incorporar as medidas, treinar e capacitar a equipe para seguir todas as recomendações. Não basta apenas entregar um manual com as regras, sem checar se aquilo tudo foi entendido, cobrando só então a responsabilidade de cada membro da equipe nas ações ”, afirma Mota.

Atendimento seguro

O documento, elaborado pela BVECCS e pela AMIB, relaciona as formas seguras de triagem presencial e por telefone, além de condutas para o atendimento domiciliar e hospitalar, tanto em casos em que o tutor tem suspeita de Covid-19, quanto os que não têm; classificação de urgência e emergência; medidas de segurança, como a higienização constante das mãos e o uso de EPIs, como máscaras, luvas, aventais, protetores ocular e facial, entre outros.

Todas as medidas que visam evitar e diminuir a exposição ao vírus e o contato com pessoas que podem carregar o microorganismo. “Por isso, a grande importância do uso de EPI´s, divisão/restrição de equipe, e restrição de tutores dentro das dependências do estabelecimento”, afirma Pacheco, lembrando que colaboradores com qualquer indício de sintoma devem ser, imediatamente, afastados e orientados a procurar o serviço médico.

Para Mota, o ponto principal é conter a disseminação do vírus, manter os estabelecimentos atuando e proteger a equipe e os clientes, “pois se muitos entrarem em nível 4, poderemos ter um desequilíbrio na saúde animal e, consequentemente, um risco a mais para a saúde humana”, explica o médico-veterinário.

De acordo com Rabelo, o impacto dessas medidas é enorme em termos de proteção sanitária e de saúde ocupacional, mas as pessoas têm uma dificuldade em seguir protocolos e guias de conduta. “É muito importante seguir um documento da sua classe e do seu País, caso contrário acabamos sendo contaminados pelo excesso de informações”, afirma.

Desafios e conscientização

O momento é de total atenção por conta da pandemia e, segundo Rabelo, um dos grandes desafios é conscientizar a classe para o uso integral das recomendações elencadas no documento elaborado por meio da parceria entre a BVECCS e a AMIB. “Não podemos permitir que o nível quatro seja atingido, porque isso vai provocar em tese o fechamento do estabelecimento, além de busca epidemiológica”, explica.

Pacheco considera que é essencial que a conscientização da população também seja feita a partir das campanhas, comunicação interna e por meio de redes sociais do estabelecimento, e mensagens aos clientes via e-mail e SMS sobre o sistema de triagem, mas é importante também que toda a equipe esteja envolvida e seja colaborativa. “As pessoas estão muito fragilizadas emocionalmente e é importante mostrar que estamos dispostos a ajudar.”

Por isso, no processo de conscientização, segundo Mota, o médico-veterinário é peça-chave. “O profissional deve se posicionar publicamente (redes sociais, televisão, revistas, jornais) com informação técnica pertinente a conscientização da utilização mais segura possível dos nossos serviços veterinários”, enfatiza, lembrando também do papel do profissional no bloqueio de disseminação de notícias falsas, “principalmente, as que envolvem os animais, a fim de evitar abandono e condutas que podem causar prejuízo a saúde”.

Acesse aqui o documento na íntegra com as recomendações para atendimento veterinário durante a pandemia

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