Segunda-Feira, 3 de agosto de 2020
20-05-2020
TEM SEMPRE UM MÉDICO-VETERINÁRIO CUIDANDO DE VOCÊ - Do campo à mesa, profissionais são fundamentais em toda a cadeia alimentar

Atuação dos profissionais envolve produção, inspeção, defesa e vigilância sanitária dos alimentos de origem animal

No momento em que o mundo enfrenta a pandemia do novo coronavírus, vale ressaltar o papel fundamental da Medicina Veterinária Preventiva na melhoria da qualidade de vida e bem-estar dos animais, na ampliação da produção de alimentos, bem como evitando e combatendo enfermidades. Sanitarista por excelência, o médico-veterinário atua por todos os processos da cadeia alimentar, garantindo alimentos em quantidade, sanidade e qualidade necessárias para alimentar a população.

O médico-veterinário Ricardo Moreira Calil, doutor em Saúde Pública, fiscal federal agropecuário do Mapa e presidente da Comissão Técnica de Alimentos (CTA) do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), considera imprescindível que todo o setor produtivo seja respeitado, prezando sempre pela segurança do alimento e a saúde de quem vai consumir.

Para isso, uma das primeiras medidas adotadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), em meio à pandemia, foi definir o abastecimento de alimentos essencial e que suas etapas (produção, armazenamento, transformação, transporte, distribuição e comércio) não devem ser interrompidas.

Ainda sobre a fiscalização agropecuária, foram definidas pelo governo brasileiro como prioritárias as atividades de prevenção e combate a doenças, fiscalização do transporte internacional e a inspeção de produtos de origem animal e vegetal, colocando o trabalho do médico-veterinário em destaque. “Cada setor precisou realizar alguns ajustes nos processos de trabalho para lidar com o cenário atual, porém com enfoque na manutenção dos serviços prestados sem prejuízo a segurança da produção e dos alimentos fornecidos à população”, enfatiza o médico veterinário Fábio Alexandre Paarmann, membro da Comissão de Saúde Animal do CRMV-SP.

A responsabilidade do médico-veterinário para com a qualidade e a segurança dos alimentos segue por todos os processos de ante e post morten, como nutrição, controle sanitário dos animais e do ambiente em que são criados, abate, manipulação, conservação, acondicionamento, embalagem, transporte, depósito e rotulagem.

“O médico-veterinário é o único profissional habilitado a reconhecer, identificar e julgar animais de produção e seus produtos como saudáveis ou comprometidos por alguma afecção, seja ela de caráter genético, nutricional ou infectocontagioso”, explica a médica-veterinária Simone de Carvalho Balian, doutora em Epidemiologia Experimental Aplicada à Zoonoses.

Desenvolvidas durante a formação acadêmica, essas habilidades se tornaram privativas do médico-veterinário e solidificaram sua presença na vigilância sanitária. Suas atribuições consistem na adoção de um conjunto de normas e procedimentos com a finalidade de se obter um produto isento de qualquer risco ou perigo higiênico-sanitário e com alta qualidade comercial e tecnológica, sem afetar ou prejudicar o consumidor e o meio ambiente.

Co-responsabilidades

O controle de qualidade começa no campo, passa pelas boas práticas de manejo sanitário, tratamento, prevenção de doenças e uso de defensivos, e continua no transporte, que deve priorizar o bem-estar dos animais. De acordo com o presidente da CTA/CRMV-SP, o sucesso do profissional da inspeção depende do bom desempenho do médico-veterinário do setor do campo, afinal, é ele que busca prevenir doenças por meio de medidas sanitárias de biosseguridade que garantam a manutenção da saúde do rebanho.

Ao chegar ao frigorífico, todo o procedimento passa a ser acompanhado por dois serviços de controle, um da própria empresa, executando por médicos-veterinários da equipe, e por um inspetor oficial. Os estabelecimentos que vendem produtos para outros países são fiscalizados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) os que comercializam o produto em âmbito estadual contam com o Serviço de Inspeção Estadual (SISP), e os que processam carne para o mercado local, com o Serviço de Inspeção Municipal (SIM).

Os inspetores são responsáveis por conferir a documentação sanitária, verificar as condições das instalações e equipamentos envolvidos e fazer a avaliação ante mortem a fim de identificar animais doentes. “Uma vez em conformidade com os padrões técnicos legais, o médico-veterinário acompanha e realiza as atividades de inspeção para garantir um alimento seguro”, explica.

Alguns problemas que afetam a saúde do consumidor, entretanto, só podem ser controlados na produção primária. No uso de medicamentos, por exemplo, o médico-veterinário deve redobrar a atenção quanto à quantidade do princípio ativo, via de administração, espécie e fase de desenvolvimento para qual o produto é aprovado e o tempo de carência no animal.

Se a medicação entrar na cadeia produtiva, haverá resíduos nos ovos, pescados, leite ou mel no momento do consumo. Não há métodos posteriores que garantam a eliminação ou redução da droga em níveis aceitáveis. A garantia de que a alimento está apto para o consumo depende da responsabilidade do médico-veterinário aplicar preceitos de boas práticas agropecuárias”, afirma a médca-veterinária Evelise Oliveira Telles, doutora em Epidemiologia Experimental e Aplicada à Zoonoses.

Atuação estratégica

Em São Paulo, que se prepara para a retirada da vacinação de bovinos e bubalinos contra a febre aftosa, prevista para acontecer após a imunização, em maio de 2021, o médico-veterinário tem missão ainda mais determinante para a conquista do reconhecimento do Estado como livre da doença sem vacina.

O profissional é peça-chave nas ações em âmbito municipal, estadual e nacional, com o envolvimento do Serviço Veterinário Oficial (SVO) e os setores público e privado, necessárias para que a suspensão gradual da vacinação ocorra, conforme previsto pelo Plano Estratégico do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa (PNEFA).

“É imprescindível, além de incrementar as atividades que envolvem a vigilância para essa enfermidade, manter aquelas que vêm sendo realizadas satisfatoriamente, tendo em vista que alcançamos índices de vacinação maiores que 90% há mais de 15 anos”, afirma Adriano Macedo Debiazzi, gerente do Programa Estadual de Erradicação da Febre Aftosa.

De acordo com a equipe técnica da Coordenadoria de Defesa Agropecuária da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (CDA/SAA-SP), com a perspectiva da retirada da vacina, a vigilância veterinária para doenças vesiculares passa a ter um papel ainda mais relevante para a detecção precoce em caso de reingresso da doença em São Paulo, uma vez que a enfermidade é altamente contagiosa, podendo acometer rapidamente criações inteiras de bovinos, bubalinos, caprinos, ovinos e suínos. Além da manutenção do status sanitário, esse trabalho é essencial para a redução de riscos e impactos socioeconômicos a produtores, empresários e famílias rurais, com prejuízos que podem ir desde a redução nos preços até a suspensão das exportações para alguns países.

 
 
             

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