Quarta-Feira, 8 de julho de 2020
21-05-2020
TEM SEMPRE UM MÉDICO-VETERINÁRIO CUIDANDO DE VOCÊ - Profissionais são verdadeiros agentes de saúde pública

Profissionais atuam no controle de doenças que podem ser transmitidas para humanos e também integram equipes do Sistema Único de Saúde (SUS)

Com frequência eles são vistos apenas como os doutores de cães e gatos, o que, isoladamente, já não seria tarefa simples. Entretanto, além da responsabilidade de zelar pela saúde dos pets, os médicos-veterinários exercem o papel de verdadeiros agentes de saúde pública, atuando no controle de doenças que podem ser transmitidas para humanos mesmo na clínica de pequenos animais e, também, integrando equipes do Sistema Único de Saúde (SUS). Sob esta perspectiva, os profissionais são cruciais para a prática dos pilares da Saúde Única – saúde animal, humana e ambiental.

“Na área clínica, atuam no diagnóstico de zoonoses, prevenção de enfermidades com vacinação e orientação para reduzir o abandono e o número de animais de rua, por exemplo. Desta forma, promovem os benefícios do vínculo humano-animal”, comenta a médica-veterinária Adriana Maria Lopes Vieira, presidente da Comissão Técnica de Saúde Pública Veterinária (CTSPV) do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP).

Este papel fundamental dos clínicos de pequenos animais está entre os fatores que levam o Ministério da Saúde a reconhecê-los como profissionais de saúde e CRMV-SP a defender junto aos governos a necessidade da inclusão de ambulatórios, consultórios, clínicas e hospitais veterinários no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES). Isso porque nestes locais são realizados tratamentos semelhantes ou iguais aos que ocorrem em unidades de saúde humana, com medicamentos de uso controlado – por exemplo, os quimioterápicos.

Esta inclusão foi recomendada ao Ministério da Saúde pelo Conselho Estadual de Saúde, após argumentação do CRMV-SP, que também participou da movimentação de resultou em uma moção durante a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde, realizada pelo Conselho Nacional de Saúde.

Somando saberes específicos em equipes multidisciplinares

A inserção, há oito anos, dos médicos-veterinários nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf) também mostra a grande contribuição dos profissionais na promoção da Saúde Única, apesar de essa participação ainda ser restrita (dentre os 645 municípios paulistas, apenas 16 cidades possuem médicos-veterinários nas equipes dos Núcleos). A médica-veterinária Eukira Enilde Monzani, faz parte do Nasf de Descalvado, primeira cidade no estado de São Paulo a incluir o médico-veterinário em sua equipe. Ela enfatiza que, a partir do trabalho, são levadas à população informações sobre zoonoses, doenças transmitidas por alimentos (DTA), entre outras. “Nossa atuação envolve orientação individual e coletiva, palestras e ações educativas em escolas e empresas. E no âmbito das estratégias de saúde da família, visitas domiciliares em casos de sarna, piolho, arboviroses e maus-tratos, por exemplo.”

Em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e em equipes Consultório na Rua (eCR), o médico-veterinário também contribui para o desenvolvimento de ações compartilhadas e integradas às Unidades Básicas de Saúde. “Neste contexto, os profissionais estão entre os que atendem pessoas em situação de rua que, frequentemente, vivem em contato estreito com animais”, comenta Adriana.

No que diz respeito aos crimes contra animais, como agressões e outros tipos de maus-tratos, os pets podem ser sentinelas de violência doméstica – considerada um problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde (OMS) –, pois os agressores de animais, muitas vezes, também violentam integrantes da família. Adriana enfatiza que, neste cenário, é o médico-veterinário o profissional que poderá, mais frequentemente, identificar casos com este perfil e notificá-los às autoridades, colaborando para com investigações que podem salvar vidas.

Olhar 360 graus nas comunidades

Em situações extremas em comunidades, os profissionais da área clínica estão no atendimento a animais, orientando a população e, ainda, observando as principais necessidades para, então, acionar órgãos como Assistência Social, Centro de Controle de Zoonoses, SUS e Segurança Pública.

Exemplos claros deste trabalho são os desempenhados nos últimos desastres brasileiros, como os que atingiram as cidades de Brumadinho e Mariana (MG), além dos realizados em outros contextos, como incêndios, deslizamentos de terra e enchentes, no cotidiano de comunidades carentes e agora no combate a pandemia do Covid-19. Nestes tipos de situações, os médicos-veterinários atuam no âmbito de duas áreas crescentes da profissão: a Medicina Veterinária de Desastres e a do Coletivo.

De acordo com a médica-veterinária Loren D’Apice, que possui residência em Medicina Veterinária do Coletivo, as linhas de atuação em cenários como esses se cruzam e o profissional possui não apenas uma visão 360 graus sobre as situações, “mas um olhar sensível e humanizado que permite detectar as reais necessidades das pessoas e animais, o que requer, além de preparo técnico, inteligência emocional.”

O presidente da Comissão Técnica de Políticas Públicas do CRMV-SP, médico-veterinário Carlos Augusto Donini, argumenta que, embora o conhecimento sobre as atividades do profissional esteja concentrado sobre a atenção médica e cirúrgica de espécies animais, a formação em Medicina Veterinária contempla disciplinas comuns da Medicina Humana, o que permite que sejam “completos profissionais de saúde, aptos e habilitados a colaborar prontamente junto aos diferentes sistemas.”

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