Quinta-Feira, 9 de julho de 2020
15-06-2020
Tutores de pets devem redobrar os cuidados com o uso de produtos de limpeza

Imagem de Congerdesign_por Pixabay



Animais podem sofrer intoxicações e outros quadros em decorrência do contato com substâncias utilizadas para higienizar residências

Texto: Coordenadoria de Comunicação e Eventos do CRMV-SP

Para o enfrentamento à pandemia de Covid-19, provocada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2), a limpeza da casa e a higienização de objetos, embalagens e superfícies passou a ser muito mais frequente e rigorosa. Nos lares em que há animais de estimação, a prudência com a higiene deve ser acompanhada de maior atenção para que os pets não sejam expostos, inadequadamente, a produtos capazes de desencadear problemas de saúde.

Isso porque algumas substâncias que fazem parte da composição de produtos de limpeza doméstica têm potencial para causar intoxicações, quadros alérgicos e outras complicações.

Embora não haja estatísticas sobre o assunto, neste período de quarentena e mais rigor na higienização dos ambientes, alguns centros de saúde animal já observam crescimento do número de atendimentos a casos de pets com problemas relacionados a estes produtos.

“Observamos aumento dos casos de gastroenterite nestes últimos dois meses e, alguns, com certeza, foram causados após contato com dose excessiva de amônia quaternária no ambiente”, afirma a médica-veterinária Carla Alice Berl, fundadora da rede Pet Care de hospitais médico-veterinários, referindo-se à substância presente em produtos de limpeza de uso doméstico.

“Aumentaram muito, também, os problemas respiratórios em cães e gatos, o que não sabemos se está ligado aos produtos de limpeza, uma vez que há o fator climático, com baixa umidade do ar. O fato é que, em alguns casos, verificamos que os tutores estavam usando muitos produtos à base de cloro”, completa Carla.

Os quadros respiratórios, como asma, tosse, chiados (sibilos) ao respirar e alergias fazem parte dos atendimentos realizados na rede de centros de atendimento médico-veterinário Santa Inês. De acordo com o proprietário da empresa, Eduardo Nelson da Silva Pacheco, que integra a Comissão Técnica de Clínicos de Pequenos Animais (CTCPA) do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), houve, ainda, aumento nos casos de dermatites nas patas (Pododermatites).

“No geral, foram pacientes que nunca tiveram esse tipo de sintoma. Com a pandemia, seus tutores começaram a usar produtos com mais frequência e, com os animais tendo mais contato com estas substâncias, houve aumento nessa casuística”, disse Pacheco, que também menciona a incidência, embora mais rara, de ingestão de produtos.

Boa parte dos produtos de limpeza utilizados normalmente na limpeza doméstica é a base de substâncias que provocam reações em cães e gatos. Exemplos são hipoclorito de sódio, amônia quaternária , benzil amônia e benzil clorafenol. Além do tipo de produto, a forma de uso e a dosagem também podem fazer diferença.

Para a prevenção

Pacheco ressalta que é preciso utilizar as diluições indicadas pelo fabricante nos rótulos dos produtos ou as prontas (em spray). A médica-veterinária Rita de Cássia Carmona Castro, diretora científica da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária (SBDV), considera a água sanitária um excelente desinfetante se usada corretamente.

Mesmo com o uso correto, alguns animais, em especial os de pequeno porte, podem apresentar problemas. Por isso, outros cuidados são necessários. “No ato da limpeza, é necessário manter os animais em outro ambiente”, diz Rita de Cássia.

Pacheco completa que, no caso de quintais e ambientes em que os animais urinam e defecam, os quais demandam limpeza constante, após a aplicação dos produtos, é preciso enxaguar muito bem com água e aguardar a secagem completa antes de permitir a circulação dos pets.

Quanto à higienização de objetos e superfícies com álcool 70%, Rita e Pacheco consideram outra ótima opção, uma vez que ele evapora rapidamente e é eficiente contra o coronavírus. Mas, da mesma forma, é fundamental distanciar os animais no momento do uso, uma vez que vapor do álcool pode provocar irritação nos olhos e vias áreas dos pets.

Ambos enfatizam que tomar esses cuidados em relação ao acesso dos animais aos produtos é fundamental para impedir contato e ingestão (lembrando, que se o animal pisar no ambiente com produto, ele pode vir a lamber as patas e engolir a substância).

Neste sentido, o armazenamento dos produtos também requer atenção. “Devem ser guardados em armários bem fechados”, orienta Pacheco, que frisa que o mesmo vale para sabão em pó, amaciantes e outros produtos destinados à lavagem de roupas. “Quando for deixar algo de molho em produtos de limpeza, cubra os baldes e bacias e os mantenha em lugar de difícil acesso aos animais.”

Saiba o que o pet pode apresentar em caso de reações a produtos de limpeza:

- Irritações dermatológicas, como vermelhidão, escamação, coceira;

- Sinais gastrointestinais, como vômitos e diarreias;

- Sinais respiratórios, como dificuldade e ruído (chiado) ao respirar;

- Alteração comportamental, como lamber-se em excesso;

- Salivação em excesso;

- Alteração de pupila;

- Apatia;

- Distúrbios neurológicos (dependendo do grau de intoxicação), como tremores, desorientação e convulsões.

Rita de Cássia menciona que as reações mais comuns são as cutâneas, ou seja, as de pele. “Pode haver inflamação, com sinais como eritema [vermelhidão], descamação, formação de vesículas [bolhas]”, diz a médica-veterinária, que considera os quadros de irritação de vias aéreas em segundo na lista dos mais frequentes.

Caso o tutor identifique algum destes sinais, é importante não fornecer nenhum medicamento ou alimento ao pet. “A medida correta é levá-lo para atendimento médico-veterinário”, enfatiza Pacheco.

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