Domingo, 25 de outubro de 2020
06-10-2020
Dia das aves: espécies podem retornar a regiões que se tornaram mais calmas e limpas

Políticas públicas em áreas urbanas e rurais precisam contribuir para com a preservação

Mudanças provocadas pela pandemia de Covid-19 em áreas urbanas e rurais ocasionaram redução da poluição e dos ruídos em algumas regiões. Uma consequência positiva é a volta de animais silvestres a locais dos quais eles haviam sido afugentado. Esta movimentação pode ser observada entre espécies de aves, cujo dia é celebrado em 5 de outubro.

Nos primeiros meses da quarentena, por exemplo, foram avistados patos silvestres em uma fonte em Roma e nos canais de Veneza, na Itália. Na Índia, um pavão foi flagrado circulando pelas ruas. Os registros foram noticiados por veículos de imprensa de diferentes países. Em bairros de cidades brasileiras, moradores passaram a avistar pássaros mais frequentemente.

Cristina Maria Pereira Fotin, membro da Comissão Técnica de Médicos-veterinários de Animais Selvagens do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), diz que a sociedade pode contribuir ainda mais para que haja a presença das aves ao preservar árvores frutíferas que atraem pássaros e outros animais silvestres.

“É fundamental manter a flora existente, fomentar programas de plantio e o consumo consciente para a redução da produção de lixo e resíduos”, frisa Cristina, que alerta, ainda, que não se deve oferecer alimentos ou água para atrair as aves, o que pode provocar desequilíbrios na dieta de espécies e atrair ratos, mosquitos, entre outros.

Planejamento urbano e controle de queimadas são cruciais

Para Hélia Maria Piedade, também membro da Comissão Técnica de Animais Selvagens do CRMV-SP, a arborização urbana, com vegetação benéficas para alimentar e abrigar aves, deve fazer parte do planejamento das cidades. “São fundamentais, ainda, medidas para manter os gatos domésticos restritos dentro das residências, uma vez que eles podem atacar ninhos.”

O controle da ocorrência de fogo em áreas verdes é outro tópico enfatizado pela médica-veterinária, cujos impactos são drásticos para toda a fauna silvestre. “Com o fogo, falta alimento, abrigo e parceiros, o que gera desequilíbrio de todo um sistema complexo das relações entre os animais, plantas e meio ambiente”, afirma a profissional.

Saiba o que fazer se encontrar uma ave ferida

Ao encontrar uma ave ferida, a primeira medida é verificar se de fato ela precisa de intervenção. “Muitas vezes está apenas desorientada ou cansada”, diz Hélia. Se realmente for necessário recolher o animal, Cristina explica que a ave deve ser envolvida com uma toalha e colocada em uma caixa ventilada e fechada.

Depois, é preciso levar o animal para atendimento em centros de reabilitação e fauna silvestre ou entregá-lo em um posto de polícia ou guarda ambiental, para que seja direcionado a pontos de tratamento especializado, os quais, posteriormente, farão a soltura do animal em local apropriado, quando a ave estiver preparada.

Permanecer com a ave não é permitido

Aves de vida livre são protegidas pela Lei Federal nº 9605/98, conhecida como “Lei de Crimes Ambientais”, que proíbe “matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente”.

Isso significa que não é permitido ao cidadão permanecer com a ave em casa. Todo animal silvestre que necessite de resgate deve ser encaminhado o mais breve possível para os locais autorizados pelo órgão ambiental competente.

Confira, na tabela do link abaixo, alguns órgãos que podem receber animais resgatados no Estado de São Paulo:

http://arquivos.ambiente.sp.gov.br/fauna/2015/09/CETAS_CRAS_V4.pdf

 
 
             

Rua Vergueiro, 1753/1759 - 4° e 5° andares -
Vila Mariana - São Paulo
Cep: 04101-000 - SP   [Mapa]

Fone: (11) 5908 4799 - Fax: (11) 5084 4907
Expediente: Segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 16h

   
 
Copyright 2006-2009 © CRMVSP. Todos os direitos reservados.