Sexta-Feira, 27 de novembro de 2020
19-11-2020
“O cliente não acredita que sou médico-veterinário por eu ser negro”, diz profissional

Clínico de cães e gatos e de animais silvestres exóticos, Augusto Renan Rocha tem experiência em saúde pública, área na qual pretende se aperfeiçoar

Cursar Medicina Veterinária em uma instituição de ensino pública era um sonho antigo de Augusto Renan Rocha, o qual ele realizou com sucesso. Hoje, é médico-veterinário concursado na cidade de Itatiba, interior de São Paulo, onde atua como clínico no Centro de Controle de Zoonoses e no atendimento a denúncias junto à Coordenadoria de Bem-estar Animal.

Criado no extremo leste da capital paulista, Rocha foi aluno bolsista em colégios particulares e se graduou na Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais. Na bagagem, soma à passagem pela área da Saúde Pública a experiência em clínica de cães e gatos e de animais silvestres exóticos.

“Como estagiário, integrei equipes de combate e prevenção à dengue e ações socioeducativas, além de atuar no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) da UFV”, conta o profissional.

A partir das experiências, cresceu o interesse em aprofundar seus conhecimentos na área da Saúde Pública. “Admiro muito, em especial, o trabalho desempenhado para o controle de zoonoses e a interface de cunho educacional junto à população”, enfatiza Rocha, que também pretende se aperfeiçoar em Clínica de Animais Silvestres.

Empoderamento

No que diz respeito à questão racial, Rocha frisa que sempre houve fomento ao empoderamento em seu núcleo familiar. “Sempre tive muito orgulho das minhas raízes e isso tem a ver com a forma como eu fui criado.” Essa valorização que vem de berço foi uma motivação a mais para que, na faculdade, Rocha articulasse a participação de alunos da UFV no Encontro de Negros, negras e cotistas da União Nacional dos Estudantes (Enude), em 2011. “Depois, fundamos o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (Neab) de Viçosa, voltado ao acolhimento de alunos vítimas de racismo.”

Militância

Em 2015, o núcleo promoveu aula magna com Nilma Lino Gomes, então chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção pela Igualdade Racial (atualmente, Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial - SNPIR).

Mais adiante, Rocha criou o Afrovet, por meio do qual promove palestras técnicas ministradas por profissionais negros de diferentes estados. “Esta é mais uma iniciativa para contribuir para com a visibilidade destes colegas”, disse o médico-veterinário.

Racismo

Rocha afirma que o racismo enraizado dá origem a um “olhar viciado” da sociedade. “Muitas vezes o cliente não acredita que sou o médico-veterinário por eu ser negro. Por causa disso, passei a usar, sempre, jaleco ou pijama cirúrgico e o estetoscópio no pescoço.”

O profissional menciona, ainda, o racismo velado, que se mostra a partir de frases ou piadas comuns no dia a dia. Na opinião do médico-veterinário, todos devem se questionar sobre como isso alimenta o racismo estrutural.

 
 
             

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