Sexta-Feira, 27 de novembro de 2020
19-11-2020
“Sou consciente do meu papel como negro em um contexto majoritariamente branco”, diz zootecnista

Mestrando em melhoramento genético pela USP, Wecksley Leonardo de Souza ressalta que em sua trajetória tem também a missão de combater o racismo

Wecksley Leonardo de Souza foi criado pelos avós em Ipiaçu, pequena cidade de Minas Gerais. Cursou enfermagem, mas foi na Zootecnia que se encontrou. Com experiência em melhoramento genético em grandes empresas, ingressou no mestrado na área. Para ele, sua posição é de responsabilidade para que os negros tenham mais oportunidades.

Aluno de escola pública, foi o primeiro membro da família a cursar ensino superior. “Passar no vestibular da Universidade de São Paulo foi uma conquista imensa, mas, também, algo inquietante, por eu fazer parte da minoria”, diz o profissional, ressaltando que, “quem não passa por isso, não sabe como é.”

Formou-se na Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP). Embora tenha passado a infância em área rural, não sabia da existência da profissão de zootecnista. Ele conta como a escolha se deu.

“Descobri que é uma área que demanda habilidades em informática e matemática, o que me chama a atenção. Por isso fui para a Zootecnia, em vez de Biologia ou Medicina Veterinária”, comenta.

Paixão pelo melhoramento genético

Souza estagiou em diferentes campos de atuação da Zootecnia. Porém, quando passou a ter contato com a área de Melhoramento Genético, entendeu que fincaria os alicerces de sua carreira neste segmento. “Eu me encantei pela área, que tem forte contribuição para que tenhamos avanços em produtividade.”

Depois de formado, atuou em grandes empresas nesta área. Sua experiência foi da fazenda – com a rotina de avaliação dos futuros touros – ao campo comercial, com atendimento a pecuaristas potenciais clientes, lida que requer muito conhecimento técnico.

Por programas mais duradouros

Souza está de volta à USP, desta vez na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ-USP), em Pirassununga, onde se dedica ao mestrado. Sua pesquisa está focada em identificar, por meio da genômica, os touros com maior diversidade genética.

“Atualmente o touro é escolhido pelo valor genético. Mas o fator variabilidade permite mais possibilidade de perenidade aos programas de melhoramento”, comenta o zootecnista.

Equidade racial no meio profissional

Sobre ser negro, o zootecnista afirma que poucos acessam postos de trabalho mais qualificados e, menos ainda, chegam a cargos de liderança. “A questão racial tem que se manter em pauta. Não se trata de vitimismo ou de ‘mimimi’, mas de dar voz.”

Souza afirma assumir seu papel como negro em um contexto profissional majoritariamente branco, ao passo que nas fazendas, a mão de obra – tratadores e chão de fábrica – é negra. “É uma responsabilidade chegar onde estou. A partir da minha trajetória, busco, no cotidiano, contribuir para com a abertura da consciência e diálogos contra o racismo estrutural.”

 
 
             

Rua Vergueiro, 1753/1759 - 4° e 5° andares -
Vila Mariana - São Paulo
Cep: 04101-000 - SP   [Mapa]

Fone: (11) 5908 4799 - Fax: (11) 5084 4907
Expediente: Segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 16h

   
 
Copyright 2006-2009 © CRMVSP. Todos os direitos reservados.